Segunda-feira, 6 de abril de 2026
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Cerca de 20 mil indígenas colombianos realizaram uma manifestação hoje (15) em Cáli, no oeste da Colômbia, como parte da série de atos conhecida como “minga”, iniciados no último dia 12 na região do Vale do Cauca, com o objetivo de unificar a pauta de reivindicações dos movimentos indígenas e populares do país.

“O que buscamos é construir uma agenda própria de todos os setores tradicionalmente excluídos dos centros de poder e aglutinar um processo social e popular no país que nos permita provocar mudanças estruturais”, explica Feliciano Valencia, porta-voz dos organizadores, ao Opera Mundi.

Os manifestantes caminharam por quatro dias, vindo de cinco departamentos diferentes, até se concentraram no coliseu de Cáli, na região andina colombiana.

“Caminhamos levando nossa palavra até Cali, mas desta vez não estamos sozinhos”, acrescenta Valencia. “Há muitos vínculos com o processo por parte de outros setores sociais do país. Os afro-colombianos, as organizações sindicais, os camponeses e os estudantes estão todos unidos. O trabalho ao longo deste ano foi enorme”.

Os homens, mulheres, jovens, crianças e idosos indígenas caminham carregando apenas bastões simbólicos, sob chuva insistente ou sol forte. Ao chegarem a Cáli, foram recebidos com calor, canções e aplausos pela população.

Os povos indígenas colombianos – ao todo, 102, inclusive os não reconhecidos oficialmente – estão demonstrando ser o setor social mais organizado e com maior força de mobilização, embora componham apenas 2% da população nacional. São os indígenas da etnia Nasa, mais que todos, que vêm tecendo relações com outros setores sociais há anos, com a intenção de encontrar pontos mínimos em comum sobre os quais construir uma série de ações conjuntas para tentar romper as divisões históricas dos atores sociais colombianos.

“Hoje estamos reunidos no que chamamos de ‘pré-congresso’, de forma simultânea a outros eventos em Bogotá e Cartagena. Debatemos a agenda de um grande congresso dos povos para 2010”, explica Valencia. “Desta vez, não queremos dialogar com o governo nem o presidente. Aprendemos que isto é inútil porque eles nunca honram os compromissos. Queremos convocar o povo, unir organizações, mandar nossa mensagem e nos prepararmos para o congresso para legislar com o povo.”

Os “mingueros” do pré-congreso estão divididos em cinco “tulpas” (grandes assambleias para o debate) nas quais serão discutidos os cincos pontos definidos desde o início das manifestações: direito à vida, direitos humanos e paz; soberania, território, tratado de livre-comércio e grandes projetos; legislações de atividades em áreas indígenas e modelo econômico; cumprimento de acordos com o governo; e agenda dos povos.

Antecedentes

Outra importante líder indígena do Cauca e atual candidata ao senado colombiano, Aida Quilcué, declarou ao Opera Mundi que as marchas também são contra “a instalação de bases militares estadunidenses na Colômbia e a reeleição de Uribe”. Em dezembro de 2008, o marido dela, Edwin Legarda, foi assassinado pelo exército colombiano enquanto participava de uma movilização de madrugada.

A “minga” começou no dia 12 de outubro no reserva de La Maria, em Piendamó, quando os Nasa decidiram ocupar a rodovia Pan-Americana para exigir do governo o cumprimiento dos acordos precedentes. A reação das forças de segurança pública foi violenta: utilizaram armas de fogo e não-convencionais contra a população indígena, que se defendia só com paus e pedras.

Marcha de povos indígenas na Colômbia chega a Cáli

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