Maputo decreta feriado por protestos contra aumento de preços
Maputo decreta feriado por protestos contra aumento de preços
A capital moçambicana vive um feriado forçado hoje (1º/9) por causa de uma série de protestos contra os aumentos nos preços do pão, da energia elétrica e da água. Pelo menos seis pessoas, incluindo duas crianças, foram mortas a tiros durante os confrontos entre policiais e manifestantes.
Manifestantes fecharam o trânsito em várias regiões da cidade nesta manhã. Alguns carros que tentaram ultrapassar os bloqueios foram queimados. O transporte coletivo por vans – o chamado chapa 100 – não funcionou desde cedo. Milhares de pessoas deslocavam-se a pé para tentar chegar ao trabalho.
Efe

Policial golpeia mulher com cassetete no bairro de Benfica, em Maputo
“Duas crianças foram mortas no subúrbio de Mafalala. Munição real está sendo usada porque em algumas áreas a polícia ficou sem balas de borracha”, disse à Reuters o porta-voz policial Arnaldo Chefo. Oficialmente, a polícia diz que foram mortas três pessoas, mas hospitais e fontes na policia afirmaram que foram seis no total.
Houve saques em lojas no centro da cidade e em mercados na periferia. No Xiquelene, um dos maiores mercados populares da cidade, várias pessoas saíram carregando sacos de arroz ou outras mercadorias saqueadas.
As escolas suspenderam aulas e as autoridades pediram à população que voltasse para casa.
Na região do Triunfo, moradores fecharam a principal avenida do bairro com pedaços de cimento, troncos, cacos de vidro e pneus queimados. Mesmo com muitas crianças na pista, a polícia reprimiu o protesto com bombas de gás lacrimogênio e tiros para o alto.
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A mobilização foi convocada por mensagens enviadas por telefone celular. Segundo a polícia, não havia registro de oficial de realização de manifestação popular ou greve para hoje.
Despero
Moradores do país, uma ex-colônia portuguesa e um dos mais pobres do mundo, os moçambicanos se queixam do grande aumento nos preços de combustíveis e produtos básicos. Na quarta-feira, o governo elevou em 30% o preço do pão, o que contribuiu para desencadear os protestos.
O país é fortemente dependente das importações da África do Sul, que se tornaram mais caras nos últimos meses por causa da valorização da moeda sul-africana, o rand.
“Mal consigo me alimentar. Vou aderir ao protestou porque estou indignada com este alto custo de vida”, disse Nelfa Temóteo, que vive no populoso subúrbio de Malhazine.
*Com agências
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