Mapa eleitoral da Colômbia mostra voto dividido por questões regionais
Mapa eleitoral da Colômbia mostra voto dividido por questões regionais
A Colômbia é um país muito diversificado em geografia, cultura, gosto e classes sociais. Cada região tem seus problemas, suas lideranças e sua história política. Cada setor social tem um imaginário diferente e dá mais atenção a alguns problemas que a outros, e por isso é mais receptivo a algumas mensagens e menos a outras. Os candidados à presidência do país na eleição deste domingo (30/5) usam estratégias diferentes e tentam adaptar-se aos setores onde são naturalmente mais fracos, mudando o discurso ou aliando-se aos líderes regionais.
Segundo as duas últimas pesquisas – Ipsos e Gallup -, o candidato governista, Juan Manuel Santos (Partido de la U), é mais forte na região litorânea atlântica e no chamado “eixo cafeeiro” (oeste do país), enquanto Antanas Mockus (Partido Verde) prevalece em Bogotá, no sudoeste e no leste. O candidato da esquerda, Gustavo Petro (Pólo Democrático Alternativo), tem um bom resultado não só no litoral caribenho, sua região de origem, mas também no sudoeste e em Bogotá, onde, por razões históricas, a legenda sempre teve força.
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Santos parece ser o candidato dos eleitores mais velhos. Segundo o Ipsos, ele conta com 43% das intenções de voto dos maiores de 54 anos, enquanto 42% dos eleitores com idade entre 18 e 24 anos votariam em Mockus. Isso confirma o fenômeno da onda verde, que promete levar às urnas centenas de milhares de jovens interessados em política pela primeira vez.
Mockus tem 40% das preferências nos setores de classe média, 10 pontos a mais que Santos. Nas camadas mais altas, Mockus também é o favorito. Santos, por sua vez, supera o rival em 15 pontos nos setores mais pobres da sociedade – os que recebem, por exemplo, os subsídios criados pelo governo Uribe.

Santos ganha nas cidades com menos de 20 mil habitantes e Mockus, nas com mais de 150 mil. Assim, o candidato governista é mais forte nos setores rurais e entre a população mais vulnerável.
Segundo analistas consultados pelo Opera Mundi, isso ocorre porque o discurso do governista é mais direto e simples que o do adversário. Para eles, Santos prefere o slogan à posição articulada, típica do ex-prefeito de Bogotá.
Fronteiras
Trata-se de um contrassenso, porque, de acordo com o Gallup, os principais problemas para o próximo presidente, na percepção dos cidadãos, serão o desemprego (43%), a saúde (10,4%) e a educação (9%). Nos três setores, segundo a mesma pesquisa, os eleitores consideram Mockus o melhor para solucionar os problemas.
Para o cientista político Jairo Estrada, da Universidade Nacional, Mockus ganha vantagem nas regiões fronteiriças, como o Putumayo (sul, com Peru e Equador), e nas regiões orientais (com Venezuela) por causa dos problemas de Santos com os vizinhos. “O isolamento comercial, na percepção popular, continuará se Santos for presidente. E a população destas regiões depende economicamente dos países contíguos”, afirma.
O candidato governista, por sua vez, ganha na região do Caribe, fortemente influenciada pela máquina política. Nesta parte do país, todos os líderes políticos estão a seu lado e os verdes não têm estrutura. Também pesa a favor de Santos o fato de que o discurso pós-moderno e os atos simbólicos de Antanas Mockus não são bem vistos nos setores latifundiários e conservadores, que influenciam muitos votos nas grandes regiões costeiras. Finalmente, nesta área há muito apoio a Uribe e, segundo as pesquisas, 40% da população quer um candidato uribista. Mockus ainda conta com 27% na região, graças a alguns poucos chefes regionais dos vários partidos que o apoiam e, sobretudo, ao voto de opinião dos jovens.
Indiferença
No sudoeste, como na região do Putumayo, os problemas do Equador dão vantagem a Mockus. Mas pesa também o fato de que a região era o centro das grandes pirâmides financeiras, pois a população considera Uribe responsável pela queda dessas entidades, nas quais muitos cidadãos perderam todo o dinheiro.
O caso mais particular, no entanto, é Antioquia, a região de Medellín, cidade natal de Uribe. O clima contrasta com o vivido no restante do país. Estas eleições não despertam nenhum entusiasmo. Medellín é a cidade cujo rosto foi modificado pelo prefeito Sergio Fajardo, hoje candidato a vice na chapa de Mockus. Lá também cresceu a candidata conservadora, Noemí Sanín. E Aníbal Gaviria, candidato à vice-presidência com Pardo, foi um dos mais populares governadores de Antioquia.
Mas o único que continua despertando interesse é Uribe, tanto que os cartazes da campanha de Santos não mostram o rosto do candidato, mas apenas uma frase: “Antioquia agradece a Uribe votando em Juan Manuel”. Santos lidera as pesquisas na região, mas só por causa do voto resignado dos uribistas nostálgicos.
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