Terça-feira, 28 de abril de 2026
APOIE
Menu

A Colômbia é um país muito diversificado em geografia, cultura, gosto e classes sociais. Cada região tem seus problemas, suas lideranças e sua história política. Cada setor social tem um imaginário diferente e dá mais atenção a alguns problemas que a outros, e por isso é mais receptivo a algumas mensagens e menos a outras. Os candidados à presidência do país na eleição deste domingo (30/5) usam estratégias diferentes e tentam adaptar-se aos setores onde são naturalmente mais fracos, mudando o discurso ou aliando-se aos líderes regionais.

Segundo as duas últimas pesquisas – Ipsos e Gallup -, o candidato governista, Juan Manuel Santos (Partido de la U), é mais forte na região litorânea atlântica e no chamado “eixo cafeeiro” (oeste do país), enquanto Antanas Mockus (Partido Verde) prevalece em Bogotá, no sudoeste e no leste. O candidato da esquerda, Gustavo Petro (Pólo Democrático Alternativo), tem um bom resultado não só no litoral caribenho, sua região de origem, mas também no sudoeste e em Bogotá, onde, por razões históricas, a legenda sempre teve força.

Leia mais:  

Candidatura de Gustavo Petro sustenta esquerda sozinha na eleição colombiana

Campanha na Colômbia foi marcada por suspeita de guerra suja na internet 

Na véspera de eleição, atentado a bomba mata duas crianças na Colômbia  

Órgão eleitoral colombiano diz que não pode evitar fraudes em eleições presidenciais  

Colombianos esperam mudanças nas políticas de segurança, dizem analistas  

Colômbia: Mockus e Santos têm mesma visão sobre segurança nacional e combate às Farc  

Santos parece ser o candidato dos eleitores mais velhos. Segundo o Ipsos, ele conta com 43% das intenções de voto dos maiores de 54 anos, enquanto 42% dos eleitores com idade entre 18 e 24 anos votariam em Mockus. Isso confirma o fenômeno da onda verde, que promete levar às urnas centenas de milhares de jovens interessados em política pela primeira vez.

Mockus tem 40% das preferências nos setores de classe média, 10 pontos a mais que Santos. Nas camadas mais altas, Mockus também é o favorito. Santos, por sua vez, supera o rival em 15 pontos nos setores mais pobres da sociedade – os que recebem, por exemplo, os subsídios criados pelo governo Uribe.

Santos ganha nas cidades com menos de 20 mil habitantes e Mockus, nas com mais de 150 mil. Assim, o candidato governista é mais forte nos setores rurais e entre a população mais vulnerável.

Segundo analistas consultados pelo Opera Mundi, isso ocorre porque o discurso do governista é mais direto e simples que o do adversário. Para eles, Santos prefere o slogan à posição articulada, típica do ex-prefeito de Bogotá.

Fronteiras

Trata-se de um contrassenso, porque, de acordo com o Gallup, os principais problemas para o próximo presidente, na percepção dos cidadãos, serão o desemprego (43%), a saúde (10,4%) e a educação (9%). Nos três setores, segundo a mesma pesquisa, os eleitores consideram Mockus o melhor para solucionar os problemas.

Para o cientista político Jairo Estrada, da Universidade Nacional, Mockus ganha vantagem nas regiões fronteiriças, como o Putumayo (sul, com Peru e Equador), e nas regiões orientais (com Venezuela) por causa dos problemas de Santos com os vizinhos. “O isolamento comercial, na percepção popular, continuará se Santos for presidente. E a população destas regiões depende economicamente dos países contíguos”, afirma.

O candidato governista, por sua vez, ganha na região do Caribe, fortemente influenciada pela máquina política. Nesta parte do país, todos os líderes políticos estão a seu lado e os verdes não têm estrutura. Também pesa a favor de Santos o fato de que o discurso pós-moderno e os atos simbólicos de Antanas Mockus não são bem vistos nos setores latifundiários e conservadores, que influenciam muitos votos nas grandes regiões costeiras. Finalmente, nesta área há muito apoio a Uribe e, segundo as pesquisas, 40% da população quer um candidato uribista. Mockus ainda conta com 27% na região, graças a alguns poucos chefes regionais dos vários partidos que o apoiam e, sobretudo, ao voto de opinião dos jovens.

Indiferença 

No sudoeste, como na região do Putumayo, os problemas do Equador dão vantagem a Mockus. Mas pesa também o fato de que a região era o centro das grandes pirâmides financeiras, pois a população considera Uribe responsável pela queda dessas entidades, nas quais muitos cidadãos perderam todo o dinheiro.

O caso mais particular, no entanto, é Antioquia, a região de Medellín, cidade natal de Uribe. O clima contrasta com o vivido no restante do país. Estas eleições não despertam nenhum entusiasmo. Medellín é a cidade cujo rosto foi modificado pelo prefeito Sergio Fajardo, hoje candidato a vice na chapa de Mockus. Lá também cresceu a candidata conservadora, Noemí Sanín. E Aníbal Gaviria, candidato à vice-presidência com Pardo, foi um dos mais populares governadores de Antioquia.

Mas o único que continua despertando interesse é Uribe, tanto que os cartazes da campanha de Santos não mostram o rosto do candidato, mas apenas uma frase: “Antioquia agradece a Uribe votando em Juan Manuel”. Santos lidera as pesquisas na região, mas só por causa do voto resignado dos uribistas nostálgicos.

Mapa eleitoral da Colômbia mostra voto dividido por questões regionais

NULL

NULL

NULL