Domingo, 26 de abril de 2026
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O conflito político na Tailândia, que já dura mais de um mês, deixou mais um morto e 86 feridos nesta sexta-feira (23/4), mas terminou com sinais de trégua e recuos de parte a parte: tanto dos manifestantes quanto dos policiais e soldados que reprimem os protestos.

Hoje, durante a manifestação, uma bomba explodiu e causou a morte de uma mulher que passava pelo local.

Os chamados “camisas-vermelhas” – da Frente Unida para a Democracia e contra a Ditadura -, que apóiam o primeiro-ministro deposto Thaksin Shinawatra (tirado do poder em 2006 num golpe militar), enfrentaram a polícia no distrito financeiro da Avenida Silom, em Bangcoc. A entrada dos manifestantes no coração empresarial do país era algo que o governo vinha tentando impedir nos últimos dias, mas não conseguiu.

Um dos líderes do grupo, Veera Musikapong, declarou que, se o governo aceitar dissolver o parlamento em 30 dias e criar uma comissão independente para investigar a violência recente em Bangcoc, vai retomar as negociações com o governo.

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Desde março, a oposição vem endurecendo a pressão para forçar a saída do primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva, de orientação liberal, em protestos cada vez mais violentos que, no total, já deixaram dezenas de mortos.

Apesar de ter ordenado a repressão, o governo de Vejjajiva já não conta mais com o apoio dos militares. O comandante do exército, general Anupong Paochinda, voltou a negar uma intervenção para acabar com a mobilização.

“O emprego da força contra os camisas-vermelhas causará danos impensáveis, terá graves consequências e não solucionará o problema”, afirmou Paochinda, em reunião com generais.

Empresários

Segundo o jornal tailandês The Nation (publicado em inglês), os manifestantes conseguiram um de seus objetivos: incomodar os grandes empresários e executivos da área – que, na maioria, apóiam o governo de Vejjajiva e, segundo a oposição, deram apoio ao golpe de 2006. Empresas com sede em Silom já decidiram transferir escritórios temporariamente para outras áreas de Bangcoc.

O vice-presidente da Câmara de Comércio da Tailândia, Phongsak Assakul, disse ao jornal que a manifestação “prejudicou a imagem” do reino asiático.

“A confusão política na Tailândia levou os membros da Asean (organização econômica do Sudeste Asiático) a mover a federação têxtil da entidade para a Indonésia”, disse ele.

Outro jornal, o Bangkok Post, publicou que o confronto só acabou depois de negociações tensas entre outro líder dos camisas-vermelhas, Kwanchai Praipana, e o major-general Pol Wichai Sangprapai, da polícia de Bangcoc. O comandante também pediu aos manifestantes para desmontar suas barricadas, o que teria sido recusado por Kwanchai recusou, apesar de garantias da polícia de que não tinha intenção de usar a força.

“Os ataques com bombas não são nossos, como já dissemos, nós lutamos por mídia pacíficos”, enfatizou Nattawut Saikua, também dirigente dos camisas-vermelhas.

*Com Agência EFE.

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Manifestantes enfrentam polícia no coração financeiro da Tailândia

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