Sábado, 2 de maio de 2026
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O presidente francês, Emmanuel Macron, declarou nesta quinta-feira (05/10) que “agora não é o momento” de os europeus adotarem sanções contra o Azerbaijão em resposta à operação militar de Baku em Nagorno-Karabakh. Os governos do Azerbaijão e da Armênia foram convidados a se reunir em Bruxelas para dialogar sobre a crise.

No encerramento da terceira cúpula da Comunidade Política Europeia (CPE) organizada em Granada, Espanha – que estava inicialmente prevista para contar com a presença do presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev –, Macron sublinhou que o diálogo com Baku deve ser priorizado e a urgência agora é responder à crise humanitária. Mais de 100 mil armênios que viviam em Nagorno-Karabakh deixaram o enclave rumo à Armênia.

“O momento não é para sanções (…) Devemos continuar a discutir com o Azerbaijão”, declarou.

No Parlamento Europeu, os eurodeputados acusaram o Azerbaijão de fazer uma “limpeza étnica” entre os armênios da região de Nagorno-Karabakh, conforme resolução não vinculante adotada nesta quinta-feira (05/10).

No documento, eles fizeram um apelo aos países da União Europeia para “adotarem medidas específicas contra pessoas do governo do Azerbaijão”, em represália aos ataques. O texto foi aprovado por 491 votos a favor e nove contra.

Baku x Paris

Macron também negou que Paris tenha vetado a presença de qualquer país. “A França sempre teve uma posição muito exigente. Talvez ela não seja vista como um parceiro conciliador”, declarou, em coletiva de imprensa.

Segundo a imprensa oficial do Azerbaijão, o presidente mudou de ideia no último momento devido a comentários da França considerados pró-armênios. Ilham Aliev também se aborreceu com a recusa de Paris e Berlim em permitir que o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, participasse das discussões, informou a APA, agência de notícias oficial do Azerbaijão, na quarta-feira (04/10).

União Europeia convidou governos do Azerbaijão e da Armênia para reunião em Bruxelas, na qual se iniciaria diálogo visando acordo de paz

Parlamento Europeu

Eurodeputados acusaram Azerbaijão de fazer uma ‘limpeza étnica’ entre os armênios da região de Nagorno-Karabakh

“Não é a França que tem problemas com o Azerbaijão. É o Azerbaijão que tem problemas com os compromissos que assume, com o direito internacional”, acrescentou o presidente francês, dizendo lamentar “profundamente” a ausência de Aliev e Erdogan.

Possível diálogo em Bruxelas

No centro de um conflito entre o Azerbaijão e a Armênia há mais de três décadas, Nagorno-Karabakh é reconhecido como território do Azerbaijão pela comunidade internacional, mas era de fato independente desde a queda da União Soviética e uma guerra no início da década de 1990, liderada por grupos étnicos armênios, que consideram o enclave sua pátria ancestral.

Apesar das múltiplas rodadas de discussões, Baku e Yerevan não conseguiram até agora baixar as tensões, um objetivo que se distanciou ainda mais com a intervenção militar de 20 de setembro passado.

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, anunciou que convidou Ilham Aliev e o primeiro-ministro armênio Nikol Pashinian a Bruxelas até ao final do mês. Uma fonte do governo azerbaijano disse à Reuters na quarta-feira que Ilham Aliyev estava disposto a participar de negociações trilaterais com Nikol Pashinian e Charles Michel.

Nesta quinta, Hikmet Hajiev, conselheiro de Aliev, confirmou que o seu país estava “pronto para participar em reuniões em Bruxelas entre as três partes.

Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse ter conversado com Nikol Pashinian à margem da cúpula em Granada. Numa declaração conjunta com o primeiro-ministro armênio, ela reiterou a condenação da operação militar do Azerbaijão em Nagorno-Karabakh, sublinhando também a necessidade de respeito à integridade territorial e as soberanias da Armênia e do Azerbaijão.