Segunda-feira, 18 de maio de 2026
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A queda do ex-ditador tunisiano, após dias de revoltas populares provocadas pelo aumento do preço dos produtos de base, enfatizou a preocupação dos líderes mundiais em relação à cotação dos alimentos. O debate sobre uma eventual regulamentação dos preços será no centro do Fórum Econômico Mundial de Davos (Suíça), que começou nesta quarta-feira (26/01) e vai até domingo (30/01).

O principal porta-voz da proposta é o presidente francês Nicolas Sarkozy, que escolheu o tema como prioridade de sua gestão no comando do G20 (grupo dos 20 países mais ricos do mundo), já que a reforma do sistema financeiro internacional depois da crise econômica, tem poucas chances de prosperar por conta da oposição norte-americana.

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“Nós queremos a regulação dos mercados financeiros primários de commodities”, declarou Sarkozy na última segunda-feira (24/01) durante uma coletiva sobre a presidência rotativa do G20. “Se nós não fizermos nada, corremos o risco de revoltas por alimentos nos países mais pobres e de um efeito desfavorável sobre o crescimento econômico global”, insistiu.

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A proposta francesa foi elogiada pelo secretário-geral da OCDE  (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o mexicano Angel Gurría. “Os mercados agrícolas sempre foram voláteis, mas, se os governos atuarem juntos, oscilações extremas de preço podem ser mitigadas e os consumidores e produtores vulneráveis serão mais bem protegidos”, disse Gurría, apelando à formação de mercados de commodities “mais transparentes”.

Sarkozy também recebeu o apoio do senegalês Jacques Diouf, diretor-geral da FAO (órgão da ONU para alimentação e agricultura). Nesta semana, a instituição publicou um relatório afirmando que os preços atingiram um recorde em dezembro 2010, superando os níveis de 2008, quando uma alta generalizada no custo da alimentação desencadeou tumultos nos países em desenvolvimento. Segundo ele, o mundo está à beira de uma nova crise alimentar que “irá gerar instabilidade política e ameaçar a paz e a segurança mundiais”.

As cotações do trigo e do milho já atingiram níveis preocupantes. Já as do cacau aumentaram brutalmente após a decisão do presidente eleito da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, de congelar as exportações para asfixiar seu adversário, Laurent Gbagbo, que se nega a deixar a Presidência apesar do resultado das urnas.

O argumento da França é que além das questões climáticas – como a seca na Rússia, inundações na Austrália – o preço de vários tipos de alimentos é submetido à ação da especulação financeira. O total dos fundos investidos em índices de matérias-primas alcançou 360 bilhões de dólares em 2010, em comparação com 10 bilhões de dólares há dez anos. Com isso, os investidores no mercado têm uma influencia muito importante sobre os preços.

“O que explica este fluxo de dinheiro são as políticas monetárias incrivelmente laxistas dos Estados Unidos durante a última década”, disse ao Opera Mundi Laurent Millet, responsável de um fundo financeiro em Londres. Os juros baixos (ou até negativos), assim como a desvalorização do dólar levaram os fundos de investimento a buscar uma proteção monetária. Neste contexto, as commodities em geral surgiram como um dos melhores ativos a serem buscados.


Causas

A especulação financeira não pode ser considerada, porém, como o único vilão, pondera Millet. “Primeiro, os investimentos financeiros nos índices de matérias-primas aumentaram tanto para os produtos cotados nas bolsas quanto para os que não são cotados, o que limita a responsabilidade dos especuladores”, explica. “Além disso, esta especulação financeira ainda representa uma proporção pequena do mercado inteiro das commodities”, acrescenta.

Segundo Millet, o aumento dos preços das matérias primas e especialmente dos alimentos explica-se pelo crescimento da demanda chinesa, as condições climáticas e a falta de investimento nas infraestruturas nos países produtores. A FAO estima que até 2050 será necessário um aumento de 70% na produção agrícola mundial para atender à demanda provocada pelo aumento populacional.

Os argumentos são usados pelo Brasil, um dos maiores exportadores mundiais de matérias-primas alimentarias ou não, para recusar qualquer proposta de controle de preço das commodities, assim como a idéia de criação de estoques reguladores internacionais baixo a tutela da FAO.

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Luta contra aumento do preço dos alimentos domina Fórum de Davos

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