Sábado, 11 de abril de 2026
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Quem pretende impedir o Irã de desenvolver um programa nuclear precisa eliminar primeiro seu próprio arsenal. Foi o que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje (3), em Berlim, ao lado da chanceler Angela Merkel, após esta dizer que já perdeu a paciência com Teerã.

“O melhor é não haver armas nucleares no Irã e em nenhum país do mundo, e que os Estados Unidos e a Rússia desativem as suas”, declarou o presidente brasileiro, em visita oficial à Alemanha. “A autoridade moral para pedir aos outros para não terem é a gente também não ter”.

Lula, que recebeu recentemente o presidente Mahmoud Ahmadinejad em Brasília e declarou apoio na questão nuclear, lembrou que o Brasil enriqueceu urânio para produzir energia elétrica e disse querer para o Irã “o mesmo que o Brasil tem”.

O presidente pediu “muita paciência” e que o Irã não seja tratado como “um país insignificante”, submetido a uma pressão mais forte a cada dia que passa. “Isso poderá não resultar em coisa boa”.

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A chanceler admitiu haver “pequenas diferenças” entre Alemanha e Brasil sobre o tema e disse que o Irã se recusa sistematicamente a cooperar com as autoridades internacionais. “Também sou da opinião de que não se deve pressionar ninguém, mas já passaram mais de quatro anos de discussões com o Irã e, lamentavelmente, não há progressos”.

Em comunicado conjunto, os dois pediram que o Irã coopere com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e cumpra as resoluções das Nações Unidas. Não há menção à possibilidade de sanções, mas Merkel disse que a questão também está sobre a mesa, caso o Irã manifeste intenção de construir uma bomba atômica.

Wolfgang Kumm/EFE



Lula e Merkel durante entrevista coletiva em Berlim

Ontem, Ahmadinejad voltou a qualificar de “ilegal” a recente resolução da AIEA que condena suas atividades atômicas e reiterou que o Irã enriquecerá o urânio que precisar. No último dia 27, Teerã havia anunciado redução no nível de cooperação com a agência.

Hoje, a Casa Branca disse que o prazo para o Irã aceitar a proposta internacional sobre seu programa nuclear e evitar novas sanções “está se esgotando”. O porta-voz Robert Gibbs afirmou que o final deste ano continua sendo o limite.

Acordos

Lula e Merkel também assinaram quatro acordos de cooperação, incluindo temas como mudança climática e Copa do Mundo. Leia mais.

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