Lula: Não pode haver "países armados até os dentes e outros desarmados"
Lula: Não pode haver "países armados até os dentes e outros desarmados"
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, em entrevista ao jornal espanhol El País publicada neste domingo (11/4), que não se pode admitir que “um grupo de países esteja armados até os dentes e outros desarmados”.
“Vou perguntar ao presidente Obama qual é o significado de seu recente acordo com [o presidente russo, Dmitri] Medvedev sobre a desativação de ogivas nucleares”, afirma o presidente.
Nestas segunda e terça-feira (12 e 13/4), Washington sedia a cúpula mundial de segurança nuclear, convocada pelo presidente norte-americano, Barack Obama, e à qual devem assistir líderes de 47 países, inclusive o Brasil.
No último dia 8, os EUA e a Rússia assinaram um novo tratado de desarmamento que reduzirá o número de ogivas nucleares em posse de cada país a um máximo de 1.550 e a 800 seus vetores de lançamento, num prazo de sete anos.
“Desativação de quê? Porque desativar o que já estava vencido não faz sentido. Eu tenho em minha casa uma gaveta de remédios vencidos. Ou falamos sério sobre desarmamento ou não podemos admitir que haja um grupo de países armados até os dentes e outros desarmados”, compara Lula, na entrevista ao El País.
Oriente Médio
Lula lembra também que o Paquistão “tem bomba atômica, Israel também” e acrescenta que “é compreensível que os que se sintam pressionado por essa situação pensem em criar a sua”.
“Não temos direito de colocar ninguém contra a parede, nem de praticar a tática do tudo ou nada”, acrescenta.
Lula contou que tentou convencer Obama, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel, de que “é preciso conversar com o Irã”.
“É um grande país, com uma cultura própria, que criou uma civilização. É preciso que os iranianos saibam que podem enriquecer urânio para fins pacíficos e que os demais devem ter tranquilidade de que será para fins pacíficos”, diz. Para Lula, “não se pode partir do preconceito de que [o presidente iraniano, Mahmoud] Ahmadinejad é um terrorista e de que é preciso isolá-lo”.
“Temos de negociar. Quero conversar com ele sobre estes temas até o último minuto. E o único limite à posição do Brasil é com relação às resoluções das Nações Unidas, que meu país cumprirá”, conclui.
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