Lula critica grandes potências por sanções contra Irã
Lula critica grandes potências por sanções contra Irã
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou as grandes potências pela aplicação de sanções contra o Irã como punição ao programa nuclear do país. Os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, França, Reino Unido, China e Rússia) “deveriam falar com o Irã. Não é possível que não se fale quando se quer a paz”, disse Lula nesta terça-feira (3/8) durante a cúpula do Mercosul, na cidade argentina de San Juan.
Lula disse ter recebido “com grande surpresa” o início das discussões de “maiores sanções” contra o Irã, justamente no momento em que o governo de Teerã tinha aceitado todos os termos pedidos pelo presidente dos EUA, Barack Obama.
“O que mais me incomodou é que o documento que nós [Brasil e Turquia] assinamos com o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad reproduzia fielmente, exatamente, os termos do que Obama me disse que tinha de conseguir e conseguimos. Aquilo que era para se transformar em um acordo transformou-se em sanções”, lamentou Lula.
O presidente questionou “como é possível resolver conflitos” se as partes não se sentarem para conversar.
“Eu me pergunto se as pessoas realmente desejam a paz ou se querem manter o clima de instabilidade que existe para justificar uma teoria de Maquiavel: é necessário dividir para reinar. Eu não acredito nas sanções”, acrescentou.
Segundo Lula, as sanções não impedirão que o Irã siga adiante com sua política nuclear e disse que “nenhum” dos líderes dos países-membros do Conselho de Segurança falou com Ahmadinejad.
“Não queremos guerra, quem quiser a paz que olhe para a América do Sul: faz muito tempo que não há guerras”, comentou, depois de lembrar que os cinco membros permanentes no Conselho de Segurança “vendem armas e têm armas nucleares”.
Livre-comércio
Durante seu discurso, o presidente brasileiro também criticou a União Europeia, que atualmente negocia um acordo de livre-comércio com o Mercosul. Lula disse sentir “certa frustração” porque gostaria que o convênio fosse alcançado sob a presidência temporária da Argentina no Mercosul, posição que passa hoje para o Brasil.
“Como os grandes adversários dessa união são os franceses, agora vou ter cinco meses pela frente para convencer os franceses a fazer um acordo. Queira Deus que consigamos. Eles acham que podem resolver os problemas do mundo dando um pouquinho de dinheiro aos países pobres”, afirmou Lula.
Para o presidente, “ninguém quer abdicar dos privilégios”. Ele adiantou que vai levar a discussão para os EUA, a UE e a China nos próximos encontros multilaterais, como a cúpula sobre mudança climática de Cancún (no México), em dezembro
“Nós não queremos manter privilégios, queremos conquistar o direito de que nossa gente tenha os mesmos direitos que eles já têm”, declarou Lula.
Parlamento
O presidente também defendeu a rápida obtenção de um acordo sobre a formação do parlamento do Mercosul no momento em que seus membros passem a ser eleitos pelo voto popular.
Os membros do bloco negociam há meses o novo critério de representatividade do Legislativo, mas surgiram diferenças quanto ao quorum e as maiorias nas comissões e no plenário do parlamento, com sede no Uruguai. Lula pediu que se continue trabalhando na integração para que “ninguém tenha a menor dúvida” de que o Mercosul é um bloco “consolidado” nos âmbitos político, econômico, social e cultural.
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