Segunda-feira, 27 de abril de 2026
APOIE
Menu

Após a assinatura do acordo para a troca de urânio pouco enriquecido do Irã por combustível nuclear produzido na Turquia – antecipado pelo Opera Mundi na madrugada desta segunda-feira (17/5) –, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o resultado das negociações mediadas pelo Brasil é uma vitória da diplomacia e uma homenagem ao ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. 


“Foi uma coisa extraordinária. Eu acho que a diplomacia sai vencedora hoje. Eu acho que foi uma resposta de que é possível, com diálogo, a gente construir a paz, construir o desenvolvimento. Mas eu acho que nós precisamos fazer justiça, e acho que até é uma homenagem ao ministro Celso Amorim, que está aqui do meu lado, porque ontem, nós nos reunimos muitas vezes, mas ele ficou reunido até quatro horas da manhã até concluir o acordo, e assinamos a declaração, agora há pouco”, disse Lula no seu programa de rádio semanal. Amorim afirmou que o acordo deve ser suficiente para evitar a imposição de novas sanções ao Irã. 

Abedin Taherkenareh/Efe



Líderes e chanceleres de Brasil, Irã e Turquia celebram acordo fechado em Teerã



Lula disse que o Brasil sempre acreditou na possibilidade de acordo e que a negociação prova que é possível fazer política internacional baseada da confiança. “Há um milhão de razões para a gente ter argumento para construir a paz e não há nenhuma razão para a gente construir a guerra. O Brasil acreditou que era possível fazer o acordo. Mas o que é importante é que nós estabelecemos uma relação de confiança. E não é possível fazer política sem ter uma relação de confiança”, avaliou. 

Repercussão

Logo após o anúncio da assinatura do acordo entre Irã, Brasil e Turquia, líderes mundiais reagiram à notícia. O ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, apesar de elogiar o “diálogo” entre os países, afirmou que “progressos bastante importantes” estão sendo obtidos no Conselho de Segurança da ONU a respeito das sanções contra o Irã pelo programa nuclear do país.

Leia mais:

Para especialista iraniano, acordo “cala a boca” dos Estado Unidos

Ahmadinejad esclarecerá detalhes à Aiea e ao Conselho de Segurança da ONU

“O acordo alcançado entre Irã, Brasil e Turquia não soluciona o problema de fundo do programa nuclear iraniano e o fato de que Irã segue enriquecendo urânio”, completou.

Por sua vez, Christoph Steegman, porta-voz adjunto do governo alemão, disse que “segue sendo importante que o Irã e a Aiea cheguem a um acordo. Isso não pode ser trocado por um acordo com outros países”.

Na mesma linha, a porta-voz da chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, opinou que “o acordo anunciado pode constituir um passo na direção correta, mas isso não responde a todas as inquietações a respeito do programa nuclear de Teerã”.

O comandante supremo da Otan, almirante James G. Stavridis, disse que o acordo é um “acontecimento potencialmente bom”, mas ponderou que não resolve todas as questões levantadas pelas potências ocidentais. “É um exemplo daquilo que todos esperamos, que é um sistema diplomático que estimule o bom comportamento por parte do regime iraniano. Obviamente, ainda temos um milhão de léguas a percorrer”, afirmou, segundo o jornal israelense Haaretz.

O governo israelense acusou o Irã de ter “manipulado” Brasil e Turquia. “Os iranianos já usaram um truque desse tipo no passado, fingindo aceitar um passo assim para reduzir as tensões e diminuir o risco de sanções internacionais mais duras, e então se recusando a prosseguir até o fim”, afirmou a fonte, que pediu anonimato.

“Israel tem o direito de dizer o que quiser, mas é a primeira vez que o Irã concordou em enviar seu combustível nuclear para um terceiro país”, disse à agência de notícias AFP um assessor do presidente Lula.

Próximos passos

O acordo prevê que o Irã envie à Turquia 1.200 kg de urânio de baixo enriquecimento (3,5%). Em troca, receberá o material enriquecido a 20% para ser usado em pesquisas médicas em Teerã, depois de até um ano. Nesse período, haverá supervisão de inspetores turcos e iranianos.

Os termos do acordo serão submetidos à AIEA, anunciou o Irã. Se for aceito, os 1.200 quilos de urânio iraniano com baixo enriquecimento ficarão guardado na Turquia sob vigilância turca e iraniana.

Em troca, após um ano, o Irã tem direito de receber 120 quilos de material enriquecido a 20%. Rússia e França já haviam se oferecido para fornecer esse urânio.

Leia mais:

Brasil confirma assinatura de acordo nuclear com Irã e Turquia

Negociação de acordo nuclear está nos últimos detalhes, diz Marco Aurélio Garcia

Lampreia
acredita que Lula irá fracassar em tentativa de diálogo com Irã


Presidente
da Rússia afirma que chance de acordo com Irã é de 30%, mas Lula se diz
mais otimista


Sarkozy
agradece Lula pela ajuda na libertação de Clotilde Reiss


Opinião: Lula está errado sobre o Irã?

Amorim reconheceu que o acordo firmado é apenas o início de uma série de negociações. “Esse acordo não vai resolver todas as questões, mas é o passaporte para discussões mais amplas que criem a confiança na comunidade internacional e, ao mesmo tempo, permita ao Irã exercer o direito legítimo à energia nuclear para fins pacíficos, inclusive com enriquecimento”.

Amorim lembrou ainda que a Turquia, que receberá o urânio do Irã, pertence ao grupo da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), ligado aos Estados Unidos – o país que lidera a campanha internacional em favor das sanções contra o Irã.

“Eu não vejo nenhuma razão [para desconfiança], nem a Turquia, que aliás, é um país membro da Otan, portanto muito ligado, aliado militar até dos Estados Unidos. Claro, cada um fará seu julgamento, mas nós não vemos nenhuma razão para que haja continuidade nesse movimento em favor de sanções”. 

Artigos:

O Brasil deve produzir a bomba atômica?

A
criação do novo inimigo muçulmano

A
inútil guerra que destruiu o Iraque


A
política de desarmamento do governo Obama

Segundo o chanceler, o governo brasileiro comemora o acordo firmado hoje, que representa os esforços em torno da busca pela paz e a não imposição de sanções contra o Irã.

“Nós tivemos que trabalhar durante muito tempo e enfrentar o ceticismo de muitos países. Mas o que eu queria salientar é que essa declaração entre Turquia, Brasil e Irã contém os elementos principais que são necessários, todos os elementos que são necessários, para que haja o acordo de troca de urânio por elementos combustíveis”.

*Com agências

(Atualizado às 10h36 e às 14h21)

Siga o Opera Mundi no Twitter

Lula afirma que acordo assinado em Teerã é vitória da diplomacia

NULL

NULL

NULL