Quarta-feira, 8 de abril de 2026
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O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, substituiu hoje (6) o comandante das forças armadas, o contra-almirante Cíbar Benítez, e completou a reformulação da cúpula militar, iniciada há dois dias. Em entrevista à CNN em espanhol, Lugo ratificou que existem “insignificantes grupos” dentro das forças armadas “que poderiam ser influenciados por políticos para manipular a vontade política no Paraguai”, mas descartou que a ação tenha sido influenciada por uma suposta ameaça de golpe de Estado. 

Andrés Cristaldo/EFE



O novo comandante das forças armadas, general Juan Óscar Velázquez, observado por Lugo

No começo desta semana, em encontro com jornalistas, Lugo havia avisado aos “inimigos da mudança ” que estes não atrapalhariam a vontade popular expressada em sua eleição. “O Paraguai que já se foi não voltará. Nada, nem ninguém vai tirar o povo paraguaio do Palácio de López até o dia 15 de agosto de 2013”, disse.

Hoje, o presidente assegurou que as alterações realizadas servem exclusivamente “para dar uma oportunidade a jovens oficiais, talentosos, que demonstram institucionalidade”. Ele, porém, reconheceu a existência de nichos contrários a seu governo. “Ainda há pequenos, insignificantes grupos que pensam que através de um golpe de Estado podem alterar a autonomia do país”.

“Somos um governo amável, participativo, disposto a analisar as críticas que recebe, mas que não se confunda isso, por nenhum segundo, como uma atitude de fraqueza”, afirmou no início da semana.

O novo comandante das forças armadas será o general de brigada Juan Óscar Velázquez Castillo, considerado um dos homens de mais confiança do círculo.

Possibilidade de golpe

O atual dirigente e pré-candidato do Partido Colorado, o general Bernardino Soto Estigarribia, criticou a decisão de Lugo e descartou que algum militar vá se arriscar ao “jogo político” para fazer um golpe pois, segundo ele, “os militares, depois de muito esforço, estão alinhados ao regime institucional e sabem que o delito de golpista não prescreve”. Soto Estigarribia foi comandante das forças armadas sob a administração de Nicanor Duarte Frutos (2003-2008).

“Ainda que possa existir descontentamento por este tipo de decisão no seio das forças Armadas, é impossível pensar na possibilidade de que no Paraguai haja uma revolta. Basta observar o que acontece em Honduras”, disse ao Opera Mundi Horacio Galeano Perrone, analista de temas militares, ressaltando a condenação ampla que o golpe de Estado hondurenho recebeu da comunidade internacional.

Rumores



O rumor de supostas reuniões entre políticos e militares precipitou a decisão de Fernando Lugo, na opinião do político liberal Rafael Saguier. “Lugo precisa rodear-se de pessoas que sejam leais às instituições e não a ele, porque os que o rodeiam até agora só o induziram a erros”, observou.

De acordo com o ex-general Regis Romero, que participou do golpe militar de 1989 que derrotou o ex-ditador Alfredo Stroessner (1954-1989), “se as mudanças dentro das formas armadas se realizam para a manutenção da institucionalidade, correto, mas se é para potencializar o clientelismo e a lealdade a Lugo, não é conveniente”.

Romero considera que isto pode romper a verticalidade e o espírito de camaradagem entre os uniformizados. “É necessário que se respeite o passado e as hierarquias. Com estas decisões se fomentam as intrigas.”

Lugo finaliza mudança nas forças armadas e afasta hipótese de golpe de Estado

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