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O candidato do Partido Nacional Porfirio Lobo foi declarado futuro presidente de Honduras, após uma contestada jornada eleitoral, cercada de incidentes e baixo comparecimento. O presidente deposto Manuel Zelaya denunciou que os resultados oficiais foram inflacionados.

Com 61% dos votos apurados, o TSE (Tribunal Supremo Eleitoral) ratificou a vitória do conservador, que conquistou 57,16% dos votos. Com uma ampla margem sobre o opositor, Elvin Santos (33,42%), do Partido Liberal, Lobo (abaixo) se apresentou como “a mudança” que colocará fim à crise política.

Fotos: Ulises Rodriguez/EFE



Mais tarde, em entrevista à Rádio Globo, Zelaya afirmou que o resultado foi manipulado. “Estamos sumamente surpreendidos com o inflacionamento dessa eleição, que se mostrou uma mentira para todo o povo hondurenho”, disse o presidente legítimo da Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde está refugiado desde 21 de setembro.

Segundo números da Frente de Resistência Nacional contra o Golpe de Estado, a participação nas eleições foi de 21,5%, enquanto o TSE diz ter sido de 60%. O órgão eleitoral tem divulgado uma série de números equivocados, o que tem gerado muitas dúvidas.

Primeiramente, a contagem demorou cinco horas, quando deveria ter sido finalizada em três. Segundo o TSE, houve “problemas técnicos”. E uma vez que os resultados se tornaram públicos, as duas contagens oficiais divergiram: enquanto o TSE falava de “grande êxito da democracia”, a ONG Organização Façamos Democracia registrava somente 47% de participação. 

Efraín Salgado/EFE (29/11/2009)



Cerca de 20 manifestantes norte-americanos protestaram contra as eleições em Honduras, em frente à embaixada dos EUA em Tegucigalpa

Nas eleições de 2005, a participação foi de 55% do eleitorado, quando a maioria dos analistas prognosticava números mais baixos. Zelaya garantiu à época que, segundo pesquisas encomendadas por ele, somente 35% da população havia participado e avisava que haveria se de investigar fraudes.

Fidelidade a Zelaya

As eleições mostraram também a profunda crise que vive o Partido Liberal, dividido entre partidários e inimigos do golpe. Aquele fiéis a Zelaya não compareceram às urnas como forma de condenar o regime. A Frente também não participou das eleições, por considerá-las uma “farsa que só serve para legitimar os golpistas”.

Ontem Lobo estendeu uma mão a Zelaya ao mostrar-se disposto a “iniciar um diálogo aberto, amplo, que não exclua ninguém, porque somos todos hondurenhos”. Entretanto, Zelaya afirmou em entrevista a Telesur, antes da divulgação oficial dos primeiros resultados, que vai seguir lutando “até a derrota desta ditadura e a instauração da democracia da qual precisa o povo hondurenho”.

A vitória de Lobo pode abrir caminho para uma resposta favorável do Congresso à restituição de Zelaya, pois agora que já se assegurou o novo presidente, poderá se construir o retorno do presidente deposto ao poder ou sua saída da embaixada brasileira.

Na quarta-feira o Congresso se reúne para abordar o assunto, mas a votação ainda pode ser adiada até a próxima segunda-feira.



Militares cuidam do material eleitoral após o pleito

Presidente do Codeh (Comitê para a Defesa dos Direitos 

Humanos em Honduras) fala sobre a eleição. Veja o vídeo:


Lobo é declarado presidente e Zelaya denuncia manipulação do resultado

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