Lobby sionista pressiona e Câmara dos EUA aprova projeto que muda definição de ‘antissemitismo’
Proposta, que ainda deve passar pelo Senado, surge em meio a série de protestos pró-Palestina nas universidades; ativistas alegam que nova lei pode ‘criminalizar’ críticas legítimas a Israel
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos (a câmara baixa do país norte-americano) aprovou nesta quarta-feira (01/05) o Projeto de Lei de Conscientização sobre o Antissemitismo, iniciativa que busca ampliar o conceito de “antissemitismo” e também as punições àqueles que forem enquadrados nesse delito.
Segundo os autores, o projeto busca fazer com que o Departamento de Educação dos Estados Unidos, passe a usar a definição recomendada pela Aliança Internacional para a Memória do Holocausto ao aplicar as leis federais antidiscriminação.
A definição em questão diz que “o antissemitismo é uma certa percepção sobre os judeus que pode ser expressa como ódio contra os judeus”.
A proposta obteve ampla maioria, já que foi apresentada por parlamentares dos dois partidos hegemônicos do país: Josh Gottheimer do Partido Democrata (governista) e Mike Lawler, do Partido Republicano (opositor), além de contar com forte apoio de entidades sionistas que realizam lobby em favor da medida, entre elas a própria Aliança Internacional para a Memória do Holocausto.
Apesar disso, a iniciativa tem gerado polêmica no país, já que seu avanço no Congresso acontece após três semanas de manifestações em universidades em protesto ao massacre promovido pelas Forças Armadas de Israel contra a população palestina na Faixa de Gaza.

Captura de Tela / CNN
Nova lei que tramita do Congresso dos Estados Unidos poderia criminalizar movimento contra Israel nas universidades
O movimento teve início em manifestações na Universidade de Columbia, em Nova York, e que já se espalhou por mais de 40 instituições em todo o território dos Estados Unidos, além de Canadá e alguns países da Europa. Em território norte-americano, mais de 2 mil pessoas já foram presas por participarem dos atos.
Os protestos não apresentam discurso antissemita, e sim contra o governo sionista e de extrema direita do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, além de denunciar as violações aos direitos humanos cometidas pelos militares de Israel, incluindo o assassinato de mais de 34 mil civis palestinos desde 7 de outubro (início da ofensiva a Gaza) até o momento.
Um dos críticos da nova legislação, o deputado Jerry Nadler, de Nova York, frisou em suas redes sociais que “o projeto é amplo demais e pode afetar a liberdade de expressão constitucionalmente protegida, incluindo críticas legítimas a Israel”.
A preocupação de Nadler se justifica em uma declaração recente de um dos autores do projeto, Mike Lawler, afirmando que “quando você ouve os universitários dizendo que ‘do rio ao mar, a Palestina será livre’, isso significa a erradicação dos judeus e do Estado de Israel”, em uma declaração ao canal local CBS, que parece justificar a criminalização de um dos slogans do movimento nas universidades.
O outro autor do projeto, Josh Gottheimer, tampouco escondeu que os estudantes que se mobilizam contra Israel são alvo da iniciativa. “Todas as nossas faculdades têm a responsabilidade de proteger contra o ódio e a discriminação. Há uma diferença entre o discurso que deve ser protegido e o assédio, a violência e a intimidação, como uma ameaça de morte”, afirmou o parlamentar governista, também em entrevista à CBS, sem explicar no que consistem os três casos que mencionou.























