Sábado, 25 de abril de 2026
APOIE
Menu

Ahmed B. é um dos seis importadores de livros da Cidade de Gaza. Aberta por sua família, a livraria onde trabalha funciona na velha cidade há 125 anos. Ao entrar no lugar, o leitor se vê cercado de numerosas edições do Corão e publicações religiosas, espalhadas sobre mesas e em altas estantes.

“Livros religiosos são muito comuns em Gaza porque custam pouco, já que frequentemente são financiados por ricos países árabes e não possuem direitos autorais. Também, têm alta demanda entre a população de Gaza”, disse Ahmed à agência Xinhua

Wissam Nassar/Xinhua (06/04/2010)



Crianças são as mais afetadas pela escassa oferta de livros em Gaza

O preço dos livros no território palestino, como o de outros produtos, cresceu vertiginosamente desde o bloqueio imposto por Israel a Gaza em 2007. O Estado judeu aumentou as restrições, banindo virtualmente todas as importações, exceto por alguns poucos itens de necessidade básica. A lista de mercadorias impedidas de ingressar em Gaza inclui também produtos culturais, como instrumentos musicais, e livros. 

Leia também:

Israel

face à sua história, por Eric Rouleau

Entrevista:

pessimismo impera entre crianças de Gaza

Crise

e falta de recursos comprometem ajuda da ONU a Gaza

Embargo

de Israel impossibilita reconstrução de Gaza, afirma ONU

No entanto, apesar do embargo, alguns dos itens proibidos podem ser encontrados à venda em Gaza graças ao lucrativo contrabando de mercadorias, realizado por meio das dezenas de túneis construídos ao longo da fronteira com o Egito. “Contrabandear livros é uma atividade muito difícil, perigosa e cara. Quando o governo egípcio descobre um carregamento de livros, não o libera. Então somos obrigados a esconder os livros entre outras mercadorias para que entrem em Gaza”, contou Ahmed.

Infância sem livros

O Centro Cultural para a Criança Al-Qattan costumava trazer novos exemplares de livros após viagens a feiras internacionais, mas desde 2007, esse costume desapareceu. “O local hoje tem poucos exemplares e novas publicações são contrabandeadas pelos túneis”, explicou Arif al-Hout, diretor do centro.

Apesar de as prateleiras da vasta e atrativa biblioteca, dedicada a crianças com menos de 15 anos, parecerem estar bem abastecidas, al-Hout disse que sente falta de apresentar aos pequenos edições variadas de jornais e revistas. “Os livros que recebemos atualmente de bibliotecas locais não atendem às exigências e aos critérios de qualidade exigidos pelo centro Al-Qattan, porém, é melhor receber qualquer livro do que nenhum”, desabafou o diretor.

No apertado território palestino, onde a literatura também é sitiada, alguns autores e instituições locais não desistem de publicar livros, apesar das dificuldades encontradas para a impressão. Um exemplo é o de Khaled Juma, conhecido poeta local, autor de livros infantis, lírico e dramaturgo, que acabou de lançar uma nova história infantil com a ajuda do Instituto para a Educação Social Tamer, organização voltada ao desenvolvimento de alternativas educacionais para crianças e adolescentes, localizado em Ramallah, na Cisjordânia.

“Sou escritor, poeta. Preciso escrever para o meu povo, especialmente para as crianças. Não posso deixar de trabalhar, apesar de as dificuldades para publicar minhas obras serem enormes”, afirmou Juma. “Os habitantes de Gaza precisam da leitura tanto quanto precisam de todo o resto. Conhecimento e educação são os fatores mais importantes para o desenvolvimento social, portanto, é imprescindível escrever para as crianças, para encorajá-las a ler, para fazê-las feliz”, concluiu o escritor.

Siga o Opera Mundi no Twitter

Literatura resiste ao embargo econômico imposto por Israel a Gaza

NULL

NULL

NULL