Quarta-feira, 6 de maio de 2026
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O presidente do Equador, Guillermo Lasso, prometeu que não será candidato nas eleições extraordinárias que devem ser realizadas no segundo semestre deste ano.

Em entrevista publicada nesta sexta-feira (19/05) pelo jornal norte-americano The Washington Post, o mandatário equatoriano assegurou que não pretende concorrer novamente à presidência, mesmo que o Conselho Nacional Eleitoral do Equador (CNE) decida que ele tem esse direito.

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Lasso aproveitou a entrevista para justificar o decreto de “morte cruzada”, assinado por ele na última quarta-feira (18/05), com o qual se dissolveu a Assembleia Nacional do Equador (unicameral) e se solicitou ao CNE a realização de novas eleições gerais no país ainda este ano.

O presidente do Equador disse na entrevista que classifica seu decreto como “um ato de generosidade para com o país, que encurtou este mandato presidencial com o objetivo de alcançar o interesse comum dos equatorianos, e evitar esse espetáculo embaraçoso de crise política”.

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A “crise política” à qual Lasso se refere é o processo de impeachment que ele enfrentava na Assembleia Nacional desde março deste ano, no qual se investigava possíveis crimes de corrupção passiva e peculato cometidos durante o seu governo, a partir de contratos da estatal Frotas Petroleiras Equatorianas (Flopec) com a empresa norte-americana Amazonas Tanker Pool.

O processo foi iniciado no dia 29 de março, mas a bancada governista conseguiu obstaculizar o trâmite por mais de 40 dias, até que, em 9 de maio, a líder da oposição, Viviana Veloz, do partido Revolução Cidadã [o mesmo de ex-presidente Rafael Correa], apresentou uma resolução para que ele fosse retomado com mudanças no seu conteúdo. O pedido foi aprovado com 88 votos, apenas quatro a menos do que o necessário em uma possível votação final, gerando um cenário muito desfavorável para o mandatário.

Órgão eleitoral convocará pleito após decreto do presidente que dissolveu Parlamento; medida serviu para enterrar juízo político que investigava corrupção em seu governo

Flickr

Presidente do Equador disse considerar seu decreto de dissolução do Parlamento como um ‘ato de generosidade’

Foi então que Lasso decidiu apelar à “morte cruzada”, um instrumento constitucional que permite ao presidente dissolver a Assembleia Nacional diante de “cenários de comoção nacional e crise política”.

O decreto também obriga o presidente a solicitar imediatamente a convocação de novas eleições presidenciais e legislativas [ou seja, todos os cargos políticos, executivos e legislativos, governistas e opositores, acabam sendo derrubados, por isso se chama “morte cruzada”].

Vale lembrar que esse mecanismo foi criado no Equador a partir da Constituição de 2008 [vigente até os dias de hoje] e Lasso é o primeiro político que o utilizou.

Nesta quinta-feira (18/05), o CNE estabeleceu o dia 20 de agosto como data preliminar das eleições legislativas e do primeiro turno das presidenciais, e o dia 15 de outubro para um possível segundo turno presidencial, se necessário. O cronograma será tema da reunião que o órgão eleitoral realizará na próxima semana, para que sejam oficializadas as datas exatas.

A presidente do CNE, Diana Atamaint, ressaltou que essa eleição terá caráter extraordinário e não irá alterar o calendário eleitoral regular do Equador. Isso significa que os políticos eleitos este ano deverão apenas cumprir o atual mandato, até maio de 2025.

Assim, as próximas eleições regulares continuam estando programadas para o primeiro semestre de 2025, para escolher os políticos que comandarão o país no quadriênio 2025-2029.