Quinta-feira, 23 de abril de 2026
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Mais de oito décadas após sua morte, foi lançada em Praga a primeira biografia do escritor tcheco Franz Kafka escrita em sua terra natal. No livro A luta por escrever: sobre o compromisso vital de Franz Kafka, o filólogo tcheco Josef Cermak tenta “abordar as relações de Kafka com o 'mundo tcheco', que são mais amplas do que muitos pensam”, segundo afirmou o autor à Agência Efe.

Nascido em 1883 em Praga na época do Império Austro-Húngaro e morto em 1924 perto de Viena, Kafka só escrevia em alemão, o idioma falado por grande parte da comunidade judaica da atual capital da República Tcheca.

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A edição saiu com uma tiragem de 2,5 mil exemplares e traz material inédito, como fotos, cartões postais escritos em suas viagens ao exterior e manuscritos relacionados a assuntos familiares.

O livro deveria ter sido publicado nos anos 1960, porém, à época, a diretoria da editora Odeon hesitou ao pensar que “se tratava de um pequeno cidadão de Praga sem importância”, lembra Cermak, “e então entraram os tanques soviéticos” para combater a Primavera de Praga de 1968.

A produção de Kafka ficou proibida na época da Tchecoslováquia socialista porque era considerado um autor “reacionário”, diz Cermak. O próprio Cermak se viu obrigado a publicar sua primeira pesquisa na vizinha Alemanha sob um pseudônimo. Só após a queda do comunismo na então Tchecoslováquia, em 1989, foram traduzidas para o tcheco obras como O Processo.

Kafka e Praga

Mais de vinte anos depois, Kafka é uma das figuras recorrentes da paisagem urbano de Praga, mas “sua obra é mais conhecida fora do que dentro do país”, reconhece Marketa Malisova, diretora da Sociedade Franz Kafka, em entrevista à Efe.

Apesar das muitas placas comemorativas, bustos e estátuas em sua homenagem, fora a praça que leva seu nome e de um centro que populariza sua obra, a inércia do passado impediu que Kafka tivesse o mesmo reconhecimento que tem no exterior e que faça parte da bagagem literária de seus compatriotas.

“De qualquer forma, a capital tcheca foi a cidade onde Kafka se educou, pela qual passeou e da qual se nutriu, em meio a suas depressões, de seu autêntico horror ao barulho e seu senso de responsabilidade, algo que acabou se tornando quase insuportável”, lembrou Cermak ao falar sobre Kafka, que trabalhava em uma seguradora de acidentes industriais.

Praga foi também o lugar que inspirou suas obras, onde sua genialidade aflorou e onde teve seus amores, nenhum dos quais acabou em casamento, apesar de ter se comprometido duas vezes com Felice Bauer. “Não me canso de Kafka”, afirma o autor da nova biografia.

Primeira biografia

O resultado da biografia hoje se deve principalmente ao também escritor Max Brod, que administrou o legado de Kafka até morrer, em 1968, em Israel, para onde emigrou em 1939 após a ocupação nazista da Tchecoslováquia. Por este motivo, Malisova também quis conceder um prêmio em memória do autor da primeira biografia de Kafka, escrita em 1937.

“Foi Brod que se encarregou de publicar sua obra, e não queimá-la, mas propagá-la. Se não tivesse sido por ele, ninguém hoje conheceria Kafka”, garante a tcheca, em cujo escritório se conserva a escrivaninha do autor de A Metamorfose.

Kafka morreu em um hospital nos arredores de Viena vítima de tuberculose. Seu corpo foi levado para a Praga, onde agora repousa no novo cemitério judeu da capital tcheca.

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Lançada a primeira biografia de Kafka escrita na República Tcheca

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