Segunda-feira, 11 de maio de 2026
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A escalada de tensões continua entre a Sérvia e o Kosovo, que fechou nesta quarta-feira (28/12) sua maior passagem de fronteira entre os dois países. A decisão é uma resposta aos bloqueios montados por manifestantes sérvios dentro do território kosovar e ao envio de tropas à fronteira pelo governo da Sérvia.

A minoria sérvia na cidade de Mitrovica, no norte do Kosovo, ergueu novas barricadas na terça-feira (27/12), horas depois de a Sérvia ter colocado seu Exército em alerta máximo.

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O Ministério das Relações Exteriores do Kosovo anunciou em sua página no Facebook que a travessia de Merdare, a mais importante para o transporte rodoviário de mercadorias, estava fechada desde a meia-noite.

“Se você já entrou na Sérvia, deve usar outras passagens de fronteira (…) ou passar pela Macedônia do Norte”, acrescentou.

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Desde 10 de dezembro, quando os sérvios no norte do Kosovo, apoiados por Belgrado, montaram inúmeras barricadas em Mitrovica e seus arredores, duas passagens de fronteira foram fechadas e três permanecem abertas.

A minoria sérvia no Norte pede em particular a libertação de um ex-policial sérvio acusado de agredir policiais em serviço durante protestos.

O Ministro do Interior do Kosovo, Xhelal Sveçla, acusou a Sérvia de tentar desestabilizar Kosovo com o apoio da Rússia, incentivando o movimento de contestação.

Escalada de tensão também ganha, como ingrediente, o fato de que a Rússia oficializou seu apoio ao governo sérvio

Flickr / Ben

Sérvios se manifestam para o apoiar o país no conflito contra Kosovo

Kremlin declara apoio à Sérvia

Por sua vez, o Kremlin declarou nesta quarta que apoiava as tentativas da Sérvia de proteger a minoria sérvia no norte do Kosovo, mas negou a acusação de Pristina de que a Rússia estava alimentando as tensões nos Bálcãs.

“A Sérvia é um país soberano e é absolutamente errado buscar uma influência destrutiva da Rússia aqui”, disse disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

Cerca de 50.000 sérvios vivem na parte norte do Kosovo e se recusam a reconhecer o governo de Pristina ou o Estado kosovar. Eles consideram Belgrado como sua capital.

O atrito das últimas semanas entre as duas comunidades surgiu do desejo das autoridades de Pristina de exigir a remoção das placas sérvias anteriores à guerra de Kosovo de 1998-1999, que levou à independência.

O que querem os sérvios?

O Kosovo, que é habitado majoritariamente por albaneses étnicos, declarou sua independência da Sérvia em 2008.

A minoria sérvia, que não reconhece o governo de Pristina nem das instituições públicas kosovares, representa cerca de 5% da população do Kosovo, de 1,8 milhão de habitantes. Os albaneses representam cerca de 90% deles.

Os sérvios presentes no Kosovo manifestam a sua hostilidade recusando-se, por exemplo, a pagar a distribuidora de energia do Kosovo pela eletricidade que usam. Eles também confrontam regularmente a polícia.

Os sérvios do Kosovo querem criar uma comunidade de municípios de maioria sérvia que funcionariam com maior autonomia no território.

A Sérvia e o Kosovo, no entanto, fizeram pouco progresso nesta questão desde que se envolveram em 2013 em negociações apoiadas pela União Europeia.

(*) Com informações de RFi