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Doze militares e um civil chilenos e um militar argentino começaram a ser julgados nesta quarta-feira (8/12) por um tribunal de Paris pelo desaparecimento de quatro franceses no Chile, durante os primeiros anos da ditadura de Augusto Pinochet (1973-90).

Os crimes aconteceram entre 1973 e 1975. Os réus são acusados pelo desaparecimento do médico Georges Klein, conselheiro do ex-presidente chileno Salvador Allende, do ex-padre Etienne Pesle, envolvido no processo de reforma agrária no sul do Chile e de Alphonse Chanfreau, dirigente do grupo MIR (Movimento de Esquerda Revolucionária), todos sequestrados em Santiago.

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Já Jean Yves Claudet Fernández, militante do MIR, foi preso em Buenos Aires e enviado ao país vizinho por meio da Operação Condor, aliança entre os regimes militares da América do Sul – Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai e Uruguai – criada com o objetivo de coordenar a repressão a oposicionistas das ditaduras instaladas no Cone Sul.

Os 14 acusados estão sendo julgados à revelia, por não terem tido a extradição autorizada pelo Chile. Formalmente, sob todos pesa a acusação de “sequestro arbitrário acompanhado ou seguido de tortura e atos de barbárie”, mas não homicídio, porque os corpos nunca foram encontrados.

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Um dos réus é Manuel Contreras, general de 77 anos que cumpre no Chile uma pena de 200 anos de prisão por violações de direitos humanos. Ele era chefe da polícia política chilena, a DINA (Direção de Inteligência Nacional).

Na lista de acusados figurava Augusto Pinochet. Morto em 10 de dezembro de 2006, aos 91 anos, Pinochet nunca foi condenado pelas acusações de violações aos direitos humanos que pesavam contra ele. Durante seu governo, mais de 30 mil pessoas foram presas arbitrariamente e torturadas e três mil foram assassinadas ou desapareceram. Além do ex-ditador, outros quatro acusados desse caso já morreram.

Perpétua

A audiência no Tribunal Criminal de Paris começou pouco depois das 10h locais (7h em Brasília), contando com a presença de parentes dos quatro franceses. Com o espaço destinado aos réus vazio, o presidente do tribunal, Pierre Stephan, iniciou a audiência com a leitura dos nomes dos acusados. “A justiça francesa é competente para julgá-los por se tratar de um crime cometido por um estrangeiro fora do território francês contra uma vítima francesa”, disse Stephan.

Para as famílias, que aguardaram 12 anos para o início do julgamento, se trata do encerramento de um ciclo. “É como um parto esperado há 35 anos”, disse Yanine, irmã de Claudet, em entrevista à agência Efe.

No julgamento, que deverá terminar em 17 de dezembro, serão ouvidas 30 testemunhas, entre as quais vítimas da ditadura chilena, como o escritor Luis Sepúlveda, que ficou preso por dois anos e meio. Apesar da idade dos réus, a pena de prisão perpétua poderá ser atribuída.

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Justiça francesa julga latinos acusados de cometer crimes durante ditadura de Pinochet

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