Quarta-feira, 20 de maio de 2026
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Uma nova etapa se iniciou para as famílias espanholas que procuram bebês roubados durante o regime do general Francisco Franco (1936-1975). Após meses de discussão dentro do governo sobre quem deveria liderar as investigações sobre o assunto, o ministro de Justiça, Francisco Caamaño, comprometeu-se nesta terça-feira (22/02) a coordenar as investigações sobre o sequestro de crianças em hospitais de toda a Espanha. Ele também afirmou que designará um promotor especial para investigar a causa e a criar um banco estatal de registros de DNA para que as famílias possam localizar seus familiares, como acontece na Argentina.

Embora a ditadura tenha terminado há mais de três décadas, há pouco menos de três meses surgiu o primeiro caso comprovado de bebê roubado por repressores. Uma mulher espanhola encontrou a filha pela primeira vez em 40 anos. Quando ainda era recém-nascida, a menina foi roubada na maternidade e entregue ilegalmente para adoção. Para a mãe foi dito que a criança havia morrido no parto.

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A identidade da menina, que não quis divulgar seu nome, foi descoberta após a realização do exame de DNA. O encontro das duas é resultado do trabalho feito pelas organizações espanholas Anadir (Associação Nacional das Vítimas de Adoção Ilegal) e Plataforma Niños Robados, presidida por Mar Soriano, cuja irmã gêmea, Beatriz, desapareceu em 1964, após o parto, na clínica O'Donnell, em Madri.

“Disseram aos meus pais que minha irmã tinha morrido de otite (inflamação no ouvido). Quem morre de otite? Não permitiram que visse o corpo, disseram que já havia sido enterrado em uma vala comum”, disse Mar Soriano, citada pela BBC.

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Uma das reivindicações dessas organizações é que o Estado investigue o assunto e não deixe as buscas para as famílias. Por meio da Niños Robados, 300 famílias espanholas denunciam roubos de bebês na ditadura, entregues para adoção ilegal, segundo o jornal espanhol El Mundo. Mas, de acordo o advogado da Anadir Enrique Vila, que trabalha há dez anos investigando desaparecimentos forçados, é possível que o número de vítimas chegue a 200 mil pessoas. A Anadir já apresentou 260 casos à Procuradoria Geral espanhola para serem investigados.

A denúncia é de que foram montados esquemas em clínicas e hospitais de redes que roubavam e logo vendiam os bebês, primeiro de famílias republicanas, mas, depois, de forma indiscriminada. A irmã de Mar teria desaparecido desta maneira. Outras crianças foram roubadas nas prisões clandestinas, onde mulheres grávidas perseguidas devam à luz. A ONG Anistia Internacional estima que 114 mil famílias desconhecem o paradeiro de parentes desaparecidos entre 1936 e 1975.

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Na Espanha, investigar violações de direitos humanos durante o franquismo suscita polêmicas. No ano passado, o juiz espanhol Baltasar Garzón foi suspenso de suas funções como magistrado. Famoso por condenações ao grupo separatista basco ETA e por ter conseguido a detenção do ex-ditador chileno Augusto Pinochet, em 1998, ele foi afastado do ofício para ser investigado por “abuso de poder”. Quem solicitou o afastamento de Garzón foi a organização franquista Falange, a organização de extrema-direita Mãos Limpas e a associação Liberdade e Igualdade. As entidades alegam que as investigações do juiz acerca de crimes cometidos durante a Guerra Civil (1936-1939) e a ditadura franquista ferem a lei de anistia geral, de 1997.

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Justiça da Espanha investigará casos de bebês roubados durante o franquismo

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