Justiça da Colômbia tira cargo de senadora Piedad Córdoba por "ligação" com FARC
Justiça da Colômbia tira cargo de senadora Piedad Córdoba por "ligação" com FARC
A Procuradoria Geral da Colômbia destituiu a senadora Piedad Córdoba, do Partido Liberal, do cargo e suspendeu os direitos políticos dela por 18 anos por uma suposta “colaboração” com a guerrilha das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), em ordem emitida nesta segunda-feira (27/9).
A Procuradoria informou que o procurador-geral Alejandro Ordóñez “puniu disciplinarmente a atual senadora Piedad Córdoba com cassação e suspensão dos direitos políticos pelo período de 18 anos”. Ordóñez, ligado ao ex-presidente Álvaro Uribe, alegou que tomou a decisão porque Córdoba teria “promovido e colaborado com o grupo à margem da lei, FARC”.
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A investigação teve início a partir de documentos encontrados nos computadores do ex-porta-voz internacional das FARC, Raúl Reyes, morto em um bombardeio do exército colombiano no Equador no dia 1º de março de 2008. Com a informação apreendida, foi possível “estabelecer que no cruzamento de dados entre o grupo guerrilheiro e a senadora, nos quais era identificada como 'Teodora', 'Teodora de Bolívar', 'La Negra' e 'La Negrita', a parlamentar excedeu-se em suas funções, assim como na autorização dada pelo governo para negociar a troca humanitária” de reféns por guerrilheiros presos.
Ordóñez acrescentou que o material foi confrontado com outras provas, entregues pela Suprema Corte à Procuradoria. Entre elas, haveria “interceptações legais telefônicas aos membros do bloco Libardo García de Cali e o depoimento dado por um ucraniana infiltrado, Viktor Tomnyuk, que teve contatos com o comandante da Frente 30, conhecido como Mincho”.
A Procuradoria também se apoiou nos relatórios da Interpol e nas apurações do Corpo Técnico de Investigação e da polícia Judicial e de Investigação sobre a autenticidade dos mídia eletrônicos. Assim, o órgão estabeleceu “com certeza” que a senadora colombiana aconselhou as FARC a não enviar vídeos de reféns, apenas gravações de voz, “a fim de adotar uma melhor estratégia na busca de seus objetivos”. Piedad, segundo a Procuradoria, também teria dado informação às FARC sobre “possíveis doações de governos estrangeiros a departamentos colombianos”.
Acusações
O órgão alegou ainda que a senadora “instruiu e solicitou às FARC que fornecessem provas de vida dos reféns a fim de favorecer governos de outros países e efetuou declarações em diferentes atos públicos nos quais exerceu atos de promoção a fim de favorecer os interesses do grupo subversivo”.
Ordónez, eleito para o cargo no ano passado com o apoio dos partidos governistas, absolveu Piedad da acusação de “traição à pátria” ao considerar “que os diferentes discursos que deu contra as políticas do governo não configuram falta disciplinar ao não menosprezarem a integridade nacional”.
A senadora Piedad Córdoba foi mediadora junto às FARC para a libertação unilateral de 12 sequestrados nos últimos anos. Nas últimas eleições, seu Partido Liberal, de centro-esquerda, lançou a candidatura de Rafael Pardo, que obteve 4,38% dos votos.
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