Terça-feira, 7 de abril de 2026
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“Meu nome é Edgar Eduardo e estudo no Isic [escola técnica de informática]. Como andei entrando na casa dos outros, vão me violentar”.

Segue-se um soco na cara, iluminada por uma lanterna. Edgar grita e chora. Em seguida, é forçado a beijar outro garoto. Assim começa a gravação que vazou na última sexta-feira no portal YouTube, na qual cinco menores de idade são espancados, torturados e estuprados por supostos policiais no estado de Nayarit, no oeste do México.

Os mesmos maus-tratos são dispensados aos quatro colegas de Edgar, sentados no chão, com as mãos amarradas às costas. No quarto, ouve-se vozes de outras pessoas, que se presume que também sejam policiais. Pelo menos um deles aponta uma arma de grosso calibre para a cabeça de um dos jovens.

Acusados de serem rateros (termo equivalente a “trombadinhas” no México), os rapazes foram estuprados, torturados, espancados e abandonados nus na rua. Tudo foi gravado e carregado no YouTube por um grupo ainda não identificado. A imprensa mexicana supõe que sejam policiais locais, mas também há a possibilidade de se tratar de uma quadrilha de traficantes.

O vídeo ficou disponível na internet durante poucas horas, com o título “Rateros em Nayarit” (Trombadinhas em Nayarit), e documenta a violência física e psicológica cometida contra os cinco jovens. O arquivo agora está nas mãos da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos de Nayarit.

“Não se devem abandonar os mecanismos legais projetados para garantir a segurança jurídica e os direitos fundamentais das pessoas”, disse o presidente do órgão, Huicot Rivas Álvarez.

Dois dias antes, na comunidade de San Mateo Capuluac, no estado do México, moradores lincharam um casal acusado de ter roubado 15 cabritos. A intervenção da polícia estatal socorreu os dois jovens pouco antes de serem mortos.

Pelas próprias mãos

O nível de violência e de “justiça extrajudicial” vem subindo rapidamente no México, um dos países mais afetados pela crise econômica, que vive uma escalada de crimes relacionados ao narcotráfico. À medida em que crescem as estatísticas de assaltos e assassinatos, aumentam as reações de milícias de civis ou de policiais que fazem “justiça” pelas próprias mãos.

“Abrir a porta para a justiça com próprias mãos significaria uma enorme regressão para estágios de incivilização e barbárie. Em um Estado democrático de direito, o crime jamais deve ser combatido por meio de outro crime”, alerta Rivas Álvarez.

O presidente da Comissão de Justiça, César Camacho Quiroz (do PRI, partido que esteve no poder por 70 anos no país), afirma que o problema da insegurança no México não se resolve elevando as penas, e sim erradicando a impunidade, pois atualmente só dois de cada dez crimes são denunciados.

“A verdadeira ameaça para os criminosos está no combate à impunidade”, disse. Para Camacho, se o poder executivo não conseguir controlar a situação econômica e a injustiça social no país, “dentro de poucas semanas pode ocorrer um grave conflito social”.



Clique aqui
para assistir ao vídeo, que foi retirado do YouTube.

Justiça com as próprias mãos no México: vídeo revela espancamento e estupro de garotos

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