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A Justiça argentina negou nesta sexta-feira (23/4) o pedido de extradição do ex-capitão da marinha Alfredo Astiz para a França. Ele é acusado de envolvimento no sequestro e morte das freiras francesas Alice Domon e Léonie Duquet, durante a última ditadura em seu país (1976-1983).

Apelidado de “anjo louro da morte”, o ex-capitão trabalhou na Esma (Escola de Mecânica da Armada), um dos principais centro de tortura da ditadura militar, na qual foi responsável por desaparecimento, tortura e outras violações de direitos humanos. Astiz vem sendo julgado desde o final da década de 1980 e, em 1990, foi condenado à revelia pela Justiça francesa a prisão perpétua. No entanto, na época foi beneficiado pelas leis de anistia da Argentina, depois anuladas.

Em 2001, a Justiça francesa apresentou um pedido de extradição para que um novo julgamento fosse feito na França, dessa vez com a presença do réu. Porém, o  negou, apenas neste ano, a solicitação por considerar que “o acusado já está sendo julgado na Argentina pelo crime contra as religiosas francesas”, segundo fontes judiciais citadas pela agência de notícias argentina Télam.

A defesa de Astiz rejeitou o pedido da Justiça francesa e insistiu para que o réu seja julgado somente na Argentina junto aos outros 17 acusados, também ex-membros da Esma, por crimes contra os direitos humanos. O julgamento dos 18 réus está em andamento desde dezembro do ano passado. Na última quinta-feira, houve mais um dia de depoimentos no processo.

Para Patricia Walsh, filha do jornalista e escritor Rodolfo Walsh, desaparecido durante a ditadura, e primeira testemunha a depor, “a Justiça tem de punir com pena máxima todos os genocidas envolvidos nestes casos”.

Mães da praça

A ativista Nélida Fiordeliza de Chidichino, de 84 anos, uma das Mães da Praça de Maio que se reuniram em frente à Igreja de Santa Cruz, em Buenos Aires, teve seu filho sequestrado em dezembro de 1977 por Astiz e pela Esma. Ela disse que jamais esquecerá o rosto do ex-capitão da marinha.

Naquele ano, Astiz se infiltou no grupo, alegando que seu irmão havia desaparecido para “ganhar a simpatia” de todos e facilitar suas ações posteriores, segundo Chidichino.

“Com aquela cara e os modos simples, pensávamos ‘pobre menino’. Nunca imaginávamos que ele era um traidor como Judas”, disse ao Nélida jornal local argentino Clarín.

Após se infiltrar na organização e liderar as “operações de eliminação”, Astiz comandou o sequestro e a morte de Azucena Villaflor, fundadora das Mães da Praça de Maio. Este, entre outros casos, é um pelos quais militar responde na Justiça.

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Justiça argentina nega extradição de torturador para a França

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