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A Câmara Federal de Apelações de San Martín, da Argentina, confirmou nesta quinta-feira (17/03) que os filhos adotivos da diretora do jornal Clarín, Ernestina Herrera de Noble, tenham amostras de sangue ou de saliva extraídas “com ou sem consentimento” para comprovar se os irmãos são ou não filhos de desaparecidos na ditadura militar do país (1976-1983).

A decisão é uma recusa ao recurso de apelação apresentado pela defesa dos irmãos Marcela e Felipe Herrera de Noble, contra a determinação de dezembro do ano passado, de que os resultados do exame sejam comparados com os dados genéticos de centenas de famílias que tiveram seus bebês roubados em centros clandestinos de prisão durante o período de repressão.

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O cumprimento da medida, no entanto, não será imediato, dado que a defesa ainda pode apresentar um recurso ante a Câmara Nacional de Cassação, máxima instância penal do país. A defesa dos Noble pede que as amostras de DNA dos irmãos sejam comparadas somente com os dados genéticos das famílias queixosas do caso.

O processo judicial, permeado por vai e vens, teve início em 2001, quando as Avós da Praça de Maio, que procuram seus netos desaparecidos durante a ditadura puderam comprovar que os documentos da adoção dos irmãos eram falsos. Estima-se que cerca de 500 bebês tenham nascido nas prisões clandestinas e adotados ilegalmente ou doados a outras famílias.

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Com as primeiras denúncias de que Felipe e Marcela seriam filhos de desaparecidos, Ernestina, sócia de um dos principais jornais do país, chegou a ser presa.  Após sua liberação, alguns dias depois, afirmou pela primeira e última vez sobre o caso: “Muitas vezes conversei com meus filhos sobre a possibilidade de que eles e seus pais terem sido vítimas da repressão”.

Em 2009, o próprio Tribunal Federal de San Martín ordenou o exame de DNA dos irmãos “de forma imediata e sem mais delongas”. A defesa dos Herrera de Noble recorreu e, apesar da extração de amostras, o material não foi comparado. Em 2010, após ordem da Corte Suprema da Argentina, peças de roupas foram entregues pelos irmãos, mas, segundo o laboratório, os artigos continham dados genéticos de várias pessoas.

Após um informe pericial, a juíza de primeira instância responsável pelo caso, Sandra Arroyo Salgado, pediu uma nova análise de amostras de sangue e de saliva. Os irmãos se submeteram novamente a uma extração sob a condição de que o material somente fosse comparado com as famílias queixosas, diferentemente do determinado nesta semana pela Câmara Federal.

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Justiça argentina determina que herdeiros do Clarín façam novo exame de DNA 'com ou sem consentimento'

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