Jornalista conta como rádio foi invadida por militares
Jornalista conta como rádio foi invadida por militares
A repressão em Honduras segue intensa. Além da perseguição política por parte do governo golpista, são muitas as denúncias de violação dos direitos humanos e ataques graves contra meios de comunicação.
Com apoio da Anistia Internacional, a reportagem do Opera Mundi conseguiu o relato de Marvin Ortiz, jornalista da Rádio Globo, que contou como foi a invasão à sede da emissora nesta segunda-feira (28) por ordem do governo golpista.
Gustavo Amador/EFE (28/09/2009)

“Na segunda-feira, às 5 da manhã, começamos nossa programação habitual, com o noticiário. Às 5h20, escutaram-se golpes na porta e gente gritando: fora!”, conta Ortiz. “Eram militares e policiais que iam confiscar todo o equipamento da rádio”.
“Começamos a escutar disparos e batidas na porta, como quem quisesse arrombá-la e entrar na rádio. Naquele momento, vários jornalistas decidiram pular do terceiro andar do edifício. Eles agora estão machucados. Felizmente, uma pessoa que passava por ali deu os primeiros socorros e os levou para um lugar seguro”, relata.
O próprio diretor da Rádio Globo fraturou o braço e teve outros ferimentos ao fugir do local.
Ortiz conta que quando os militares e os policiais entraram na rádio, sem aviso, levaram todo o equipamento, todo o aparato necessário para operar a rádio, computadores, microfones, central telefônica, amplificadores e até antenas. Levaram tudo em uma viatura da polícia e, posteriormente, tomaram o edifício.
“Eu cheguei à rádio às 7 horas. Estava com uma colega de trabalho. Ali mesmo começou a perseguição dos policiais e militares. Nos ameaçaram e hostilizaram, tomaram fotos e nos insultaram. Vários jornalistas que cobriam o fechamento da rádio tiveram os equipamentos confiscados e alguns foram presos. Todos tivemos que abandonar o local às 9 horas da manhã”.
A operação foi cumprimento de um decreto do governo golpista de Roberto Micheletti que suspende as garantias constitucionais aos hondurenhos e restringe a liberdade de expressão.
Mesmo depois do episódio, a Rádio Globo mantém a posição de informar sobre os acontecimentos políticos no país, condenando o golpe de Estado. Agora, a rádio opera somente pela internet (www.radiohonduras.com). Segundo os jornalistas da emissora, ontem havia cerca de 400 mil pessoas acompanhando a programação.
“Damos espaço para as pessoas se expressem livremente e fazerem suas denúncias. Na rádio, somos cerca de 50 pessoas, entre repórteres, apresentadores, operadores e administrativos. Há muita perseguição contra nós e muito temor. Não nos sentimos seguros em nenhum momento. Muita gente se aproxima do edifício da rádio para repudiar a decisão do governo golpista de fechá-la”, diz Ortiz.
De acordo com Susan Lee, diretora da Anistia Internacional das Américas, Honduras corre o risco de se converter em um Estado sem direito, onde a polícia e o exército atuam sem respeito aos direitos humanos ou à lei. “Roberto Micheletti deve revogar imediatamente o decreto e enviar instruções claras às forças de segurança para respeitar os direitos humanos sob qualquer circunstância e em todo momento”, afirma Lee.
Após a intervenção de várias organizações de direitos humanos, o corpo militar e policial decidiu desocupar a rádio. Há um grupo de advogados que está trabalhando para permitir que a rádio volte a operar novamente sem restrições.
“Hoje, somente os locutores estão no edifício. Estamos tirando o sinal da internet, porque a proibição, o decreto, não nos permite usar a frequência de rádio. Eles seguem fazendo ameaças, repressão e prisões contra jornalistas, mas nós, repórteres, mantemos nossas fontes. Temos que ir aonde está a notícia, apesar de temer, porque sabemos que pode haver repressão contra nós, especialmente porque já somos identificados, sabem que somos da equipe da Rádio Globo. Nós temos um compromisso com o povo, com nossa profissão e nossa família”, concluiu Marvin Ortiz.
Além da Rádio Globo, na segunda-feira a emissora de tevê Canal 36 também foi fechada pela ditadura em Honduras.
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