Quarta-feira, 6 de maio de 2026
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O jornal português Diário de Notícias, um dos principais do país europeu, citou o Opera Mundi como fonte este fim de semana para admitir a fraude no caso do “restaurante canibal” noticiado pela mídia internacional como existente. A notícia, que se espalhou na Alemanha na última quinta-feira (26/8) e foi reproduzida por órgãos de imprensa de vários países, foi desmentida pelo site brasileiro no mesmo dia.

Em matéria publicada no sábado, assinada por Elisabete Silva, o jornal cita artigo de Breno Altman publicado na véspera e reconhece que o Opera Mundi “desmascarou” a montagem, cujos indícios sugerem ter sido provavelmente realizada por portugueses. Todas as pessoas que aparecem em vídeos divulgados na internet relacionados ao caso têm sotaque português.

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“O embuste foi desmascarado por um site brasileiro que lança a suspeita de que os autores da falsa notícia são portugueses. No editorial do Opera Mundi pode-se ler que a ideia terá sido uma vingança 'das piadas contra os seus patrícios' e que 'resolveram armar pegadinha contra os brasileiros'”, diz o texto.

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Além disso, o Diário de Notícias entrevista um sociólogo para comentar o fenômeno. “Não é novo que exista quem divulgue notícias falsas, a diferença é que agora qualquer um o pode fazer, dada a facilidade de meios,” diz, antes de demonstrar pessimismo em relação ao comportamento da mídia. “Os procedimentos [de confirmação] internos das redacções devem ser mais sofisticados. Tem de haver prudência, principalmente em casos exóticos. Mas acredito que vai acontecer mais vezes”.

O Portal Imprensa, dedicado à cobertura do mercado jornalístico brasileiro, também mencionou o fato, destacando a reportagem do Opera Mundi.

Crédulos e céticos

Na quinta-feira, jornais, revistas e agências de notícias de diversos países da Europa e do mundo publicaram notas, com bastante credulidade, sobre um suposto restaurante chamado Flimé, em Rondônia, que serviria carne humana por ter pratos inspirados na gastronomia wari – uma tribo indígena que, de fato, praticava o canibalismo antes do contato com os colonizadores brancos. Um website escrito em alemão e português com ortografia de Portugal era citado, em que se pediam doações voluntárias de órgãos e anunciava a abertura de uma futura filial em Berlim.

Em entrevista ao tablóide berlinense Bild, um político local protestou contra a aceitação de um “restaurante canibal”, mas demonstrando ceticismo quanto à veracidade da história. Já a revista alemã Der Spiegel, o jornal inglês The Guardian e as agências Efe e ANSA passaram o boato adiante. Alguns deles citavam que haveria uma campanha publicitária do Flimé em curso na mídia convencional alemã, o que não ficou provado. No Brasil, o maior órgão de imprensa a dar crédito à informação foi a Folha de S.Paulo, tanto na versão online quanto na impressa.

Neste domingo (29/8), a ombudsman do jornal (profissional responsável pela autocrítica da redação), Suzana Singer, publicou nota em sua coluna comentando o fato e criticando a apuração do veículo.

No mesmo dia em que estourou o boato, reportagem do Opera Mundi reuniu os indícios de fraude, apontou que as imagens usadas nos vídeos são falsas (a Cinelândia, no Rio de Janeiro, é usada como se fosse Guajará-Mirim, em Rondônia) e descobriu que, no telefone indicado como correspondente ao local descrito no site, funciona uma agência do Bradesco.

Entretanto, outros veículos brasileiros também investigaram a história, entrevistando a Prefeitura de Guajará-Mirim e a Polícia Federal, que negaram a existência do restaurante e prometeram, ambas, investigar quem estaria por trás do boato. O jornal rondonense Correio Popular citou o comandante da PM local para afirmar que, no endereço divulgado, não há nada além de mata virgem (apesar de o telefone ser da agência). Também descobriram que o website do Flimé era sedidado na Inglaterra e conseguiram contactar o responsável, que se recusou a dar mais informações.



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Jornal português cita Opera Mundi e reconhece fraude em caso de restaurante canibal

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