Segunda-feira, 11 de maio de 2026
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A reforma da Previdência na França, anunciada ontem pela primeira-ministra Élisabeth Borne, é manchete em todos os jornais franceses nesta quarta-feira (11/01). Enquanto algumas publicações são mais didáticas, explicando cada ponto da controversa reforma, outras apontam para as manifestações e greves já previstas para combatê-la.

A principal medida – e um dos pontos mais sensíveis desta reforma – será a extensão da idade mínima de aposentadoria para 64 anos, contra os 62 atuais. Apesar dos esforços do governo para justificar a proposta, essa medida continua altamente impopular. Mais de dois terços dos franceses (68%) são contra o adiamento para 64 anos, de acordo com uma pesquisa do Ifop-Fiducial.

“Começa a luta contra a reforma da Previdência”, anuncia o diário Le Figaro. Reunidos ontem à noite na Bolsa do Trabalho de Paris, os sindicatos – como CFDT, Força Operária, Solidários, FSU e CGT – convocaram os trabalhadores a se mobilizar “fortemente”, durante um primeiro dia de manifestações e greve marcado para 19 de janeiro. Fato raro nos últimos anos, a reforma é contestada por todos os sindicatos de trabalhadores do país, mesmo aqueles considerados reformistas.

O encontro da esquerda francesa para traçar uma estratégia comum de luta contra a reforma é a manchete do Libération. “A esquerda busca a fagulha que vai acender a mobilização contra a reforma da Previdência”, diz o jornal.

Esquerda reunida

Na terça-feira, logo após a apresentação das principais linhas do projeto de governo, a esquerda francesa se reuniu em Paris. Apesar de algumas divergências sobre a estratégia a adotar para travar a batalha, todos os componentes do Novo Núcleo Popular Ecológico e Social (Nupes) estiveram no palco do salão Olympe de Gouges, no 11º distrito de Paris.

Enquanto algumas publicações são mais didáticas, explicando cada ponto da controversa reforma, outras apontam para as manifestações e greves já previstas para combatê-la

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European Parliament/Flickr

Élisabeth Borne, primeira-ministra da França

O nome do salão não é por acaso: a revolucionária francesa Olympe de Gouges (1748-1793) é tida como emblema pelos movimentos de libertação das mulheres. Além de seu compromisso feminista, ela também fez campanha pelos direitos dos oprimidos e lutou pela igualdade em geral. É, portanto, um símbolo da esquerda francesa.Em um cartaz exibido durante este encontro, se lia: “O trabalho prejudica a saúde depois dos 60 anos”.

“Élisabeth Borne louva a ‘justiça’ do projeto do governo”, destaca Le Monde, que sublinha, além do aumento da idade mínima, a aceleração do alargamento do período contributivo para 43 anos, as medidas a favor das “carreiras longas” e o aumento da pensão mínima para € 1.200 brutos, cerca de 85% do salário mínimo, a partir de setembro de 2023. 

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A idade mínima legal de aposentadoria foi, portanto, alterada em dois anos, inclusive para regimes especiais. No entanto, o Executivo detalhou inúmeras medidas destinadas a tornar a reforma mais aceitável pela população, explica o diário econômico Les Echos.

Le Parisien, por sua vez, questiona se o governo francês precisará adotar o dispositivo constitucional 49.3, que permite ao Executivo adotar um projeto de lei sem votação no Parlamento. O jornal destaca em manchete a frase do ministro da Economia, Bruno Le Maire: “Não há brutalidade nem desequilíbrio naquilo que propomos”. O presidente Emmanuel Macron já chegou, inclusive, a ameaçar dissolver a Assembleia Nacional para fazer passar a reforma.