Terça-feira, 28 de abril de 2026
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O clima na Jamaica continua tenso e o país corre o risco de enfrentar uma nova explosão de violência depois dos choques entre polícia, exército e moradores de uma favela da capital desde segunda-feira. Até agora, 73 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas nos enfrentamentos.

O número de mortos nos confrontos entre as forças de segurança do país e os pessoas que apóiam o traficante Christopher Coke, conhecido como Dudus, aumentou nesta quinta-feira (27/5). O confronto também deixou mais de 500 presos, segundo o sub-chefe de polícia da Jamaica, Glenmore Hinds.

EFE



Soldados escoltam jornalistas por ruas de Tivoli Gardens, comunidade pobre cenário de violência esta semana

Desde a tarde terça-feira, os tiros e os choques diminuíram, mas a cidade ainda está tensa, com receio de que a violência possa retornar a qualquer momento. Antes do anúncio de Hinds, fontes oficiais tinham admitido 49 mortos (inclusive dois policiais e um soldado) e não descartavam que o número aumentasse ainda mais.

Kingston ainda está sob estado de emergência e soldados e policiais patrulham as ruas e casas em busca de Dudus. Segundo a imprensa local, o bandido estaria negociando sua rendição e entrega com autoridades norte-americanas.

Hoje, as forças de segurança acompanharam jornalistas pelas ruas da comunidade Tivoli Gardens para mostrar que a área está sob controle. O governo da Jamaica anunciou que o estado de emergência continuará vigente em dois bairros de Kingston, mas que o resto do país está seguro e sem risco de confrontos. Também prometeu mais transparência.

Extradição

Desde a semana passada, quando o primeiro-ministro da Jamaica, Bruce Golding, autorizou a extradição de Dudus para os Estados Unidos, a ira dos moradores da favela aumentou. Em Tivoli, reduto político do próprio Golding, o traficante é visto como um protetor e líder comunitário.

O governo dos EUA pediu a extradição do traficante em agosto de 2009, mas o primeiro-ministro adiou a decisão por sete meses. Dudus é acusado de tráfico de armas e de drogas nos EUA e de ser o suposto líder da quadrilha de traficantes conhecida como Shower Massive. A incógnita agora é o alcance do impacto político que a onda de violência terá sobre Golding, que teve de desmentir informações que o ligavam a Dudus.

EFE



Moradora de Tivoli Gardens fala à imprensa em visita escoltada por militares jamaicanos

Diversos veículos de comunicação britânicos informaram que o governo se negou a facilitar a extradição de Dudus. Já o canal de televisão norte-americano ABC descreveu o governante jamaicano como um “conhecido criminoso” com laços com o tráfico de drogas. Golding rejeitou os comentários da ABC, que chamou de “extremamente ofensivos”, ao mesmo tempo em que se viu obrigado a desmentir qualquer relação com o crime organizado.

Na semana que vem, o primeiro-ministro terá de enfrentar uma possível moção de censura no parlamento. Enquanto isso, ele tenta aplacar as críticas da oposição e de dissidentes em seu próprio partido.

Jamaica continua tensa após 73 mortes em onda de violência

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