Quarta-feira, 6 de maio de 2026
APOIE
Menu

Khader Adnan, autoridade do movimento palestino Jihad Islâmica, morreu nesta terça-feira (02/05) aos 45 anos. Ele estava em greve de fome há mais de 80 dias. O episódio foi o estopim de um novo duelo de artilharia entre palestinos da Faixa de Gaza e o exército israelense.

A administração penitenciária de Israel anunciou em um comunicado a morte do detento, que foi “encontrado inconsciente em sua cela”. Símbolo para os palestinos, Adnan havia sido preso inúmeras vezes pelas autoridades israelenses e já havia feito quatro greves de fome.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Informação pronta para compartilhar
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize em Opera Mundi

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Informação pronta para compartilhar
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize em Opera Mundi

Ele não foi transferido para um hospital civil, apesar de seu estado bastante debilitado após 86 dias sem comer. Segundo sua mulher, Randa Musa, o marido teria “recusado qualquer tipo de assistência ou exame médico”. Em coletiva de imprensa em sua casa em Arraba, no norte da Cisjordânia ocupada, ela declarou que sua morte é um “orgulho”.

Segundo o Clube dos Prisioneiros Palestinos, organização civil de defesa dos detentos palestinos em Israel, Adnan é o primeiro a sucumbir a uma greve de fome na prisão. A organização Médicos pelos Direitos Humanos de Israel o visitou recentemente e exigiu que ele fosse hospitalizado “imediatamente”, assegurando que sua vida estava em risco. “Khader Adnan escolheu a greve de fome como último recurso, um meio não violento de protestar contra a opressão a que ele e seu povo estão submetidos”, reagiu a organização nesta terça-feira.

Mais lidas

O que levou o palestino a fazer greve de fome?

Khader Adnan iniciou a greve de fome para denunciar as detenções administrativas. Controversas, essas medidas permitem à justiça militar israelense prender suspeitos sem nenhuma acusação oficial. A duração máxima dessas detenções é de seis meses. No entanto, elas podem ser renovadas inúmeras vezes.

“Não há limite de tempo real, ninguém sabe quando esse tipo de detenção terminará”, explica Milena Ansari, da organização de direitos dos prisioneiros palestinos Addameer. “Essa ferramenta funciona como uma brecha do sistema para manter o controle sobre os palestinos, mesmo quando não há provas ou acusações contra eles”, avalia.

O direito internacional autoriza o recurso à detenção administrativa, se justificada por “razões imperativas de segurança”. Mas segundo Qaddura Fares, presidente do Clube dos Prisioneiros Palestinos, “as forças de ocupação utilizam esse dispositivo de forma totalmente abusiva”.

Segundo organização palestina, Khader Adnan morreu após 'um meio não violento de protestar contra a opressão a que ele e seu povo estão submetidos'

Wikicommons

Adnan havia sido preso inúmeras vezes pelas autoridades israelenses e já havia feito quatro greves de fome

No caso de Khader Adnan, ele havia sido preso acusado de “pertencer a um grupo terrorista”. Ele foi indiciado por seu envolvimento na Jihad Islâmica e por discursos que, segundo as autoridades israelenses, incitavam à violência.

Para protestar contra suas detenções, considerada injustas, muitos prisioneiros param de se alimentar.“As greves de fome ainda são uma ferramenta de poder para os detidos palestinos”, comenta Milena Ansari. “Mas é claro que também é muito polêmico, porque os presos colocam seus corpos em perigo, suas vidas em perigo, para defender seus direitos fundamentais”.

“Regime de apartheid” 

O primeiro-ministro palestino, Mohammad Shtayyeh, descreveu a morte como “um assassinato deliberado” cometido por Israel por “recusar seu pedido de libertação, ignorá-lo clinicamente e mantê-lo na cela, apesar da gravidade de seu estado de saúde”.

Para a ONG israelense Médicos pelos Direitos Humanos, os direitos de Adnan foram violados, já que ele fez uma greve de fome de mais de 80 dias sem vitaminas ou qualquer tipo de suplemento alimentar. Membros da organização puderam visitá-lo antes de sua morte e alertaram repetidamente sobre a deterioração de seu estado de saúde. “Ele estava muito, muito fraco e estava perdendo a consciência”, conta Dana Moss, da Physicians for Human Rights.

“Ele sofria de dores, vomitava várias vezes e até vomitou sangue. Ele também estava com dificuldades no ouvido esquerdo”, relata. “Khader Adnan realizou esta greve de fome contra um sistema jurídico muito injusto, no contexto de uma ocupação de longo prazo e de um regime de apartheid”, lançou Dana Moss.

Estopim de novos confrontos

Após o anúncio da morte de Adnan, a Jihad Islâmica, considerada uma entidade terrorista por Israel, Estados Unidos e União Europeia, alertou que Israel “pagará o preço por este crime”.

Imediatamente, foguetes foram lançados de Gaza em direção a Israel, embora tenham caído em campos abertos ou perto da cerca da fronteira, anunciou o exército. À tarde, tanques israelenses dispararam de volta contra a Faixa de Gaza, enquanto mais foguetes eram lançados do território palestino em direção a Israel.

Estes novos disparos foram reivindicados, em comunicado conjunto, pelos grupos armados da Faixa de Gaza, que afirmaram tratar-se de uma “primeira resposta” à morte de Khader Adnan.