Quinta-feira, 23 de abril de 2026
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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou hoje (15) na Knesset (parlamento) que a construção de 1,6 mil casas em Jerusalém Oriental não será interrompida, apesar da reprovação por parte da ONU e do próprio governo norte-americano, que se propôs a mediar a retomada de negociações entre israelenses e palestinos, na semana passada.

“A construção em Jerusalém e em qualquer outra parte continuará, como foi costume durante os últimos 42 anos”, disse Netanyahu durante uma reunião com a bancada parlamentar de seu partido, o Likud.

A frase teria sido uma resposta à pergunta de uma deputada sobre o efeito da crise diplomática com Washington, segundo o site de notícias Ynetnews.com.

A decisão de construir as casas foi divulgada durante a visita do vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, à região, apenas um dia após o anuncio oficial de que israelenses e palestinos haviam concordado em estabelecer um diálogo indireto de paz, sob mediação dos EUA.

Autoridades palestinas e entidades internacionais já tinham demonstrado insatisfação e desconfiança quanto à disposição de Israel de retomar efetivamente o diálogo, já que, um dia antes da visita de Biden, o Ministério da Defesa israelense anunciara a construção de outras 112 casas em assentamentos judaicos na Cisjordânia. O anúncio das 1,6 mil novas casas aumentou a insatisfação e, agora, é mais um empecilho para os possíveis acordos de paz.

Ainda hoje, após se referir ao caso de Jerusalém, o primeiro-ministro disse que a construção também continuará na Cisjordânia, assim que expirar o congelamento de dez meses decretado em novembro para as colônias judaicas nos territórios palestinos.

“A decisão do gabinete de reiniciar a construção, transcorridos os dez meses, continua de pé”, afirmou Netanyahu.

 

Após a declaração do primeiro-ministro, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se pronunciou reprovando a atitude, e afirmou que Israel deve renunciar à construção de novos assentamentos na parte árabe de Jerusalém para abrir caminho para as negociações de paz na região.

“Espero que Israel coopere para que sua política de assentamentos não frustre as negociações indiretas, conseguidas com grandes dificuldades pelos EUA, pela ONU e outras organizações”, disse Ban em entrevista à agência de notícias russa RIA Novosti.

A OLP (Organização para a Libertação da Palestina) se recusou a retomar as negociações indiretas de paz com Israel enquanto o Estado judeu persistir com a construção de assentamentos.

“A posição da Autoridade Nacional Palestina é clara. Não voltaremos às negociações de paz até que Israel anule sua decisão de construir centenas de casas em assentamentos em Jerusalém Oriental”, disse o secretário-geral da executiva da OLP, Yasser Abed Rabbo.

Exigência

O negociador-chefe palestino, Saeb Erekat, chamou as declarações de Netanyahu de “provocativas” e ressaltou que elas contradizem as desculpas pedidas pelo primeiro-ministro israelense aos EUA.

“Frear os assentamentos não é só uma condição palestina. Isso se transformou em uma exigência internacional”, acrescentou Rabbo.

Declarações como a da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton – que considerou “um insulto” a aprovação da construção durante a visita de Biden –, e da chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, que disse que os assentamentos são não apenas ilegais, mas também um obstáculo para a paz, não foram suficientes para fazer o governo de Israel recuar na decisão.

Protestos

Além das entidades internacionais, os próprios palestinos se pronunciaram neste final de semana para mostrar insatisfação com a decisão de Israel. No sábado, cerca de 200 manifestantes enfrentaram o exército israelense em um posto militar de Kalendia, ao norte de Jerusalém.

O protesto era contra o prosseguimento da colonização israelense nos territórios palestinos e contra o cerco imposto por Israel na semana passada, que concentrou tropas de choque nos arredores da cidade antiga de Jerusalém e nos bairros palestinos durante as orações muçulmanas. Desta forma, os palestinos ficaram proibidos de sair da Cisjordânia para o Estado judeu e para Jerusalém.

Seis manifestantes, quatro mulheres e dois adolescentes, ficaram levemente feridos e outros quatro foram detidos, segundo o exército israelense.

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Israel ignora críticas e mantém construção de casas em territórios palestinos

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