Irã inicia enriquecimento de urânio a 20%
Irã inicia enriquecimento de urânio a 20%
O Irã iniciou hoje (9) o processo de enriquecimento de urânio a 20% na usina nuclear de Natanz, na província de Isfahan, região central do país, segundo o diretor da Organização Iraniana de Energia Atômica (OIEA), Ali Akbar Salehi, citado pela agência iraniana Irna. O processo acontece sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), informou o governo.
A falta de consenso para a obtenção do material no exterior, como exigiam Estados Unidos e a União Europeia, fez com que o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, decidisse pelo enriquecimento no país.
De acordo com propostas que vêm sendo discutidas desde outubro, 70% do urânio iraniano seriam enviados ao exterior com baixo índice de enriquecimento (3,5%).
O início do processo de enriquecimento de urânio a 20% foi anunciado no domingo pelas autoridades iranianas e notificado ontem à AIEA.
Salehi afirmou, de acordo com a Irna, que as portas para novas negociações não estão fechadas. “Estamos prontos para dialogar caso parem de perder tempo e ajam racionalmente”, disse.
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Pelo acordo para o programa nuclear intermediado pelas Nações Unidas, o Irã exportaria seu urânio com baixos níveis de enriquecimento em troca de combustível refinado para o funcionamento do reator de Teerã, desenhado para produzir isótopos para fins medicinais. O objetivo é garantir que o país não enriqueça o urânio a um nível superior que seria potencialmente usado em uma bomba nuclear.
O enriquecimento de urânio é um processo essencial para a geração de combustível usado no funcionamento das usinas nucleares. O Irã ressalta que seu programa nuclear é civil e tem finalidades pacíficas, estando de acordo com as normas do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, do qual é signatário. Para se construir uma arma nuclear é preciso que ela contenha até 90% de urânio enriquecido. Até hoje o Irã enriquecia 3,5% de urânio.
Ameaças
Os EUA e a França afirmaram que novas sanções contra o Irã são o “único caminho” depois que o governo iraniano anunciou a ampliação de seu programa nuclear.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas já impôs três rodadas de sanções ao Irã. O conselho de segurança é formado por 15 países, dos quais, entre os cinco permanentes: Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China, quatro são favoráveis às sanções.
Apesar de afirmar que ainda quer “tentar encontrar uma solução pacífica”, o secretário de Defesa norte-americano, Robert Gates, afirmou que as sanções podem ser a única alternativa. “Será necessário que toda a comunidade internacional trabalhe junta, para tentar pressionar (o Irã). O ponto de pressão é trazer os iranianos de volta para as negociações e resolver essa questão de uma forma que evite que o Irã obtenha uma arma nuclear”, disse.
O ministro da Defesa francês, Herve Morin, concorda com Gates e acrescenta que, se o governo do Irã continuar com o programa de enriquecimento de urânio em Natanz, será alvo de novas sanções.
Já o ministério das Relações Exteriores da China voltou a pedir a continuidade das negociações sobre o programa nuclear do Irã, de acordo com a agência de notícia Xinhua. “Esperamos que as partes envolvidas dividam os pontos de vista sobre o projeto de acordo relativo ao reator de pesquisas iraniano e cheguem a um consenso o mais rápido possível, que permitirá resolver a questão”, declarou o porta-voz do ministério, Ma Zhaoxu.
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