Irã critica sanções e apela à União Europeia que retome negociações com o país
Irã critica sanções e apela à União Europeia que retome negociações com o país
O Irã anunciou nesta terça-feira (6/7) que quer retomar as negociações com a EU (União Europeia) sobre seu programa nuclear. Em comunicado enviado a à chefe do Departamento de Política Externa da União Europeia, Catherine Ashton, o secretário-geral do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Saeed Jalili, fez um apelo para que os europeus tentem reconquistar a confiança dos iranianos acreditando no acordo que propõe a troca de urânio.
De acordo com a agência de notícias iraniana Irna, a carta foi uma resposta a uma correspondência anterior remetida por Ashton, pedindo que as negociações sejam retomadas e para pedir a realização de uma reunião sobre a questão nuclear, ainda que, em 9 de junho, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) tenha aprovado novas sanções contra o país árabe. Entretanto, o Irã foi claro ao dizer que aceita retomar negociações apenas se o bloco “renunciar à política de dois pesos e duas medidas e fizer emendas para os erros passados”.
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Além disso, o negociador iraniano colocou três condições para um possível encontro. A primeira delas se refere a se a UE iniciará conversas em um espírito de “tolerância e cooperação ou continuará na sua hostilidade”. A segunda fala em renunciar a exercitar qualquer “pressão” sobre o Irã, e a terceira se refere a anunciar qual é “seu ponto de vista sobre armas nucleares do regime sionista”, em alusão a Israel. As condições citadas pelo negociador iraniano são praticamente as mesmas colocadas na semana passada pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad em vista de uma retomada, a partir do final de agosto, de tratativas com o grupo dos 5+1 — Estados Unidos, Rússia, China, França, Grã-Bretanha e Alemanha
Na carta aos europeus, o iraniano fez ainda perguntas sobre as posições da comunidade no que se refere à política externa. Jalili quer saber se a negociação com o Irã respeitaria os direitos legítimos da população do país, qual é a disposição da comunidade europeia para evitar pressões e, por último, como o bloco observa o suposto armazenamento de armas nucleares por Israel. “Os europeus devem abandonar as políticas atuais e corrigir erros”, disse Jalili. “Vocês precisam conquistar a confiança do povo iraniano, mais do que nunca”.
No começo do mês passado, a União Europeia aprovou sanções extras ao Irã, complementando medidas restritivas que já haviam sido definidas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. As restrições afetam principalmente as áreas comercial e militar do país. Antes, em abril, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, negociaram com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, a troca de urânio. Pela proposta, o Irã enviará 1,2 tonelada de urânio levemente enriquecido para a Turquia e, depois receberá 120 quilos do produto enriquecido a 20%. Mas a comunidade internacional considerou o acordo insuficiente.
“É muito interessante que, apesar dos esforços feitos pelos governos brasileiro e turco para a retomada das conversações, os europeus têm sido relutantes nos últimos três meses. Mas logo depois [das sanções definidas pelo Conselho de Segurança, os europeus] manifestaram pronto interesse em retomar as negociações”, afirmou Jalili. Em seguida, o iraniano reclamou das sanções extras impostas por europeus e norte-americanos. “Seguindo seu pedido de retomada das negociações, os governos dos Estados Unidos e da União Europeia impuseram uma nova série de sanções em contradição à abordagem que prega o diálogo”, criticou Jalili.
*Com Agências Brasil e Ansa
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