Irã confirma isolamento de dois líderes opositores
Irã confirma isolamento de dois líderes opositores
O procurador-geral do Irã e porta-voz do Poder Judiciário, Gholam Hussein Mohseni Ejei, confirmou nesta segunda-feira (28/02) que a polícia isolou os líderes da oposição Mir Hossein Musavi e Mahdi Karroubi.
Em declarações divulgadas pela agência de notícias estatal Irna, ele também advertiu à população que as forças de segurança atuarão contra aqueles que saírem nos próximos dias às ruas para protestar.
“O primeiro passo foi dado. Suas relações foram bloqueadas”, afirmou o procurador-geral, quem advertiu que, se for necessário, serão tomadas outras medidas coercitivas. Ejei não esclareceu onde os dois foram encontrados.
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Nesta segunda-feira, um dos filhos de Karroubi afirmou que seu pai foi tirado de sua casa pela polícia secreta e levado junto à sua mulher para um lugar desconhecido.
“Falamos com um dos vizinhos que foi testemunha. Ele nos informou que na quinta-feira à meia-noite oito caminhonetes das forças de segurança estiveram estacionadas na porta da casa”, disse.
“Após alguns minutos, todas as caminhonetes partiram acompanhadas por um carro que saiu da garagem. Deixaram a casa vazia e com as luzes apagadas”, acrescentou em declarações divulgadas pelo site opositor sahamnews.net .
No sábado, uma organização pró-direitos humanos no Irã denunciou que Karroubi e Musavi tinham sido levados a um quartel da Guarda Revolucionária nos arredores de Teerã após mais de 15 dias incomunicáveis e bloqueados pela polícia em suas residências.
A oposição iraniana pediu nesse mesmo dia à população que retornasse às ruas do país na próxima terça-feira para pedir a libertação dos dois opositores.
A convocação foi feita em meio a incessantes rumores sobre o paradeiro e o estado de saúde dos dois opositores, perseguidos pelo regime desde que, em junho de 2009, qualificaram a reeleição do presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, como fraudulenta.
Suas residências foram tomadas pela polícia secreta e por outras forças de segurança no início de fevereiro, depois que ambos pediram à população que retomasse os protestos em 14 de fevereiro.
Dezenas de agentes foram mobilizadas diante dos dois edifícios, cortaram as linhas de telefone, colocaram barreiras e desde então impedem o acesso de todos os familiares à área.
No domingo, o ex-presidente iraniano Mohamad Khatami, citado por seu próprio site, pediu a libertação dos opositores em discurso diante de um grupo de professores de religião.
O chefe do governo entre 1997 e 2005 lembrou também que ambos foram figuras de destaque da Revolução Islâmica e, portanto, não mereciam esse tratamento.
“Por que pessoas como Musavi e Karroubi e suas mulheres, que foram glórias da religião e da República Islâmica, e são leais a elas, foram postos sob prisão domiciliar?, questionou o site Khatami.ir.
“Este tipo de ação encoraja aqueles que se opõem ao regime e que não se preocupam com o Irã (…) e contribui para a manipulação dos sentimentos dos jovens”, acrescentou.
Khatami também manifestou seu desejo de que esta situação termine antes do início do ano novo persa.
O regime iraniano acusa os dois líderes opositores de traição, perturbação da ordem pública e conspiração com forças estrangeiras.
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