Terça-feira, 7 de abril de 2026
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Um governo com participação popular, em busca de investimentos estrangeiros e de acordos de livre comércio para um país pequeno que sabe a importância dos seus vizinhos maiores, Brasil e Argentina. É isso que o senador e ex-guerrilheiro José “Pepe” Mujica, favorito para vencer a eleição presidencial no Uruguai, disse que fará se triunfar na votação deste domingo (25) ou em um eventual segundo turno no fim de novembro contra o ex-presidente conservador Luis Alberto Lacalle.

Em entrevista a jornalistas estrangeiros em um hotel de Montevidéu neste sábado (24), Mujica exibiu o estilo despojado que fez dele o senador mais votado do país em 2004 e que gera críticas dos adversários por sua linguagem simples e elogios dos defensores por conta da comunicação fácil com o povo. Fez elogios ao governo brasileiro, afirmou que o Uruguai é “irmão gêmeo” da Argentina, lembrou os laços históricos com o México e a importância do estreitamento de relações com o Mercosul, que serve de “plataforma de lançamento, não como ponto final”.

“Somos filhos das conquistas e frustrações da América Latina. Temos em comum algumas coisas importantes, como a língua, as tradições, a solidariedade. Isso é importante em um mundo que encolha cada vez mais. Não aproximarmos é deixar uma dívida”, afirmou o candidato do partido do popular presidente Tabaré Vázquez, também da Frente Ampla, ao lado de seu companheiro de chapa, o ex-ministro da Economia Danilo Astori.

Ex-camponês, Mujica afirmou que o Brasil será uma grande inspiração caso seja eleito, embora o Uruguai seja muito diferente e dependa mais dos seus vizinhos para se desenvolver economicamente. “Já conheço Lula desde antes de ele ser presidente. Alguém que consegue governar mesmo sem maioria parlamentar tem que ter alguma qualidade. Ele é presidente de um governo vitorioso, que aliou política econômicas responsáveis e tirou milhões de pessoas da pobreza”, disse. “Queremos que nos percebam assim também no que diz respeito à seriedade, para que invistam aqui.”

Astori, visto como referência intelectual da social-democracia uruguaia, completou: “A principal conquista do governo brasileiro foi conseguir estabilidade e equilíbrio econômico sem descuidar das políticas sociais. É admirável o papel que o governo brasileiro desempenhou nesse processo e isso deve servir de inspiração a todos”.

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Menos formal, Mujica ainda achou tempo para fazer piada com o país do qual o Uruguai se separou oficialmente em 1828. “Deus não é uruguaio, mas parece ser brasileiro”, disse o ex-militante Tupamaro, que passou 14 anos na prisão por combater a ditadura militar no país e só pôde voltar à vida política em 1985.

Mujica também insistiu na necessidade de fortalecimento do Mercosul, no qual vê “problemas a serem discutidos com os países gigantes”. “Um país pequeno como o Uruguai não pode abrir mão de participar disso, o Mercosul é um bloco estratégico. Ele não é um fim em si, mas ajuda a buscarmos acordos de comércio com mais países”, opinou.

O esquerdista prometeu boas relações com a Argentina, embora persista a disputa relacionada à fábrica de celulose finlandesa Botnia que está instalada sobre o rio Uruguai. Um bloqueio já dura 2,5 anos na ponte que liga a cidade argentina de Gualeguaychú (230 km ao norte de Buenos Aires) a Fray Bentos (300 km ao noroeste de Montevidéu). “O impossível sempre custa um pouco mais, vamos ter que ter paciência para resolver. Mas vamos conseguir”, disse.

Em um sinal de como pretende lidar com mandatários direitistas da América Latina, como o peruano Alan García e o colombiano Álvaro Uribe, o favorito para a disputa uruguaia lembrou as relações históricas com o México, cujo presidente é o conservador Felipe Calderón. “Durante a ditadura no Uruguai os mexicanos sempre nos receberam. Naquela época acho que o governo deles também não tinha presidentes com histórias parecidas com a dos nossos governantes, como pode ser o caso agora”, afirmou Mujica.

“O México é o único país com quem temos um acordo de livre comércio. Seja quem for o presidente, vamos trabalhar porque o mundo é interdependente e o Uruguai não depende só de si para crescer.”

Integração da América Latina é prioridade, afirma Mujica

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