Domingo, 17 de maio de 2026
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O papa Bento XVI não encoraja “a ingerência” nos assuntos internos do Egito com suas palavras sobre o atentado contra a Igreja Copta em Alexandria, mas “claramente lança um apelo a todos” para que as religiões sejam respeitadas, afirmou a Nunciatura Apostólica no Cairo nesta quinta-feira (7/1).

Em nota, o núncio apostólico dom Michael L. Fitzgerald retomou os principais trechos dos discursos do Pontífice na missa do dia 1 de janeiro, do Angelus do dia 2 e da mensagem pelo Dia Mundial da Paz, que suscitaram reações do imame de Al-Azhar, Ahmed al Tayyeb, para quem as declarações significavam “uma ingerência inaceitável nos assuntos do Egito”.

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Segundo Fitzgerald, das palavras do Papa emergiram “duas coisas dignas de nota: a primeira é o reconhecimento que o ataque contra os cristãos repercute em toda a população; a segunda é o apelo para responder de modo não-violento”.

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Bento XVI também “pediu às pessoas que não cedam ao desconforto e nem se submetam frente às forças negativas do egoísmo e da violência, enfatizando como as palavras não bastam”, complementou o representante do Estado do Vaticano, negando enfaticamente qualquer intenção de interferir nos temas internos egípcios.

A posição expressada pela nunciatura foi bem recebida pelo porta-voz Mohamed al Refaa Tahtawy.

“Se o Papa diz que não interfere nos assuntos do Egito e respalda a posição do governo egípcio, acolhemos com gentileza a declaração”, afirmou, ao receber a nota.

Gesto vil

No domingo passado, o grande imame de Al-Azhar criticou o apelo do governante católico. “Não estou de acordo com o ponto de vista do Papa, e me pergunto por que o Papa não pede proteção para os muçulmanos quando são mortos no Iraque”, declarou.

Um dia antes, Bento XVI exortou por ações concretas, dizendo que apenas “palavras não são suficientes”. Ele ainda qualificou o atentado, que deixou 23 mortos na passagem de ano, como um “vil gesto de morte que ofende a Deus e à humanidade”.

“Perante o cerimônia de violência que tem como alvo os cristãos, e tem consequências sobre toda a população, rezo pelas vítimas e os familiares, e encorajo à comunidade eclesiástica a perseverar na fé e no testemunho de não violência do Evangelho”, declarou, na ocasião.





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Igreja nega ingerência nos assuntos internos do Egito

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