Segunda-feira, 11 de maio de 2026
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Quase duas semanas depois da maior catástrofe ambiental da história da Hungria, a pergunta mais relevante é o tamanho da contaminação do solo, das águas e do ar das duas aldeias mais afetadas e de seu entorno.

Em muitos países europeus e de outros continentes, se ouviu pela primeira vez os nomes dos povos de Kolontar e Devecser, os mais contaminados pelo vazamento tóxico que deixou até agora nove mortos e mais de cem feridos.

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Organizações ambientalistas como Greepeace qualificaram de “irresponsável” a decisão do governo húngaro, tomada esta semana, de autorizar a volta dos habitantes a Kolontar, porque ainda não se sabe quais são os efeitos, a curto e a médio prazo, do acidente.

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O toxicólogo húngaro Gábor Zacher foi taxativo ao declarar à Agência Efe que é preciso valentia para dizer “de uma vez por todas que não se pode viver nas duas aldeias”.

A Defesa Civil do país, por sua vez, garante que o conteúdo das micropartículas tóxicas no ar “não alcança níveis perigosos para a saúde”.

O governo prometeu ajudar todos os afetados, independentemente de quererem ou não continuar em Kolontar e Devecser, embora até o momento se desconheçam os detalhes dos planos de deslocamento.

Em todo o país, se abriram dezenas de contas bancárias para receber doações nacionais e do exterior, mas até o momento é difícil calcular quanto foi arrecadado.

Um passo rumo à normalização da vida dos moradores foi o reatamento, anunciado na sexta-feira, da produção de alumínio na fábrica da empresa MAL, cuja balsa de resíduos de bauxita causou a catástrofe. A planta emprega mais de 3 mil pessoas da região.

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, prometeu uma solução até o fim do ano para todos os afetados, que obterão casas em terrenos seguros nas duas aldeias ou em imóveis estatais em outras partes do país.

Propostas e soluções

As autoridades construíram em poucos dias um novo dique para conter uma possível segunda enchente, mas a longo prazo terá que solucionar o problema da ruptura da balsa danificada, que apresenta um buraco de aproximadamente 40 metros.

Para isso, o governo convidou um grupo de especialistas e arquitetos austríacos que já trabalha no local para determinar como tapar o buraco por onde fugiu o lodo tóxico no último dia 4.

Entre as propostas apresentadas, se fala em um muro de 20 metros de altura, mas também da construção de uma placa de concreto sobre a parede danificada.

Uma semana após a evacuação de 715 habitantes de Kolontar, 500 pessoas decidiram voltar este fim de semana a seus lares e continuar sua vida, apesar das advertências de várias organizações ecologistas.

O prefeito local, Karoly Tili, explicou que frente ao que se previa anteriormente, apenas uma centena de residentes abandonará a aldeia, porque lá “estão suas casas e seus trabalhos. Tudo deles está relacionado ao local”.

A solidariedade da população às vítimas da catástrofe ecológica, sem precedentes na Hungria, foi bem palpável, tanto que o prefeito, após agradecer as doações de roupa, alimentos e outros artigos, pediu que não fosse enviado mais nada, exceto dinheiro.

Também se mobilizaram os famosos de origem húngara. O magnata americano de ascendência húngara George Soros enviou 1 milhão de dólares aos afetados, enquanto o ex-governador de Nova York, e George Pataki, também de origem húngara, iniciou a coordenação de doações estrangeiras destinadas à região.

“Agradeço a todo o mundo o apoio que estamos recebendo até agora”, disse uma das pessoas evacuadas no sábado.

Também foi elevada a presença de voluntários para ajudar na reconstrução e na limpeza das ruas manchadas de vermelho na área contaminada, mas a tarefa parece quase impossível dado o alto nível de toxicidade do material.

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Hungria ainda desconhece nível de toxicidade de sua maior catástrofe ambiental

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