Hondurenhos vão às urnas para eleger novo presidente neste domingo
Pesquisa eleitoral aponta vantagem para Xiomara Castro, esposa do ex-presidente Manuel Zelaya, deposto em 2009; caso eleita, ela se torna a primeira mulher a presidir o país
A população de Honduras escolhe neste domingo (28/11) seu próximo presidente, 128 deputados ao Congresso Nacional, 298 prefeitos e 20 deputados ao Parlamento Centro-Americano.
Entre os 13 candidatos à sucessão do atual mandatário hondurenho Juan Orlando Hernández, do Partido Nacional, destacam-se como favoritos o prefeito de Tegucigalpa, Nasry Asfura, candidato pelo Partido Nacional, e Xiomara Castro, do Partido Libertad y Refundación, esposa do ex-presidente do país Manuel Zelaya, que governou entre 2006 e 2009, quando foi deposto.
A última pesquisa eleitoral realizada no país, divulgada em outubro, dava uma expressiva vantagem a Xiomara, que liderava com 38% das intenções de voto, enquanto Asfura somava 21%. Caso esse resultado se concretize, a ex-primeira dama se tornará a primeira mulher a presidir o país.
Em terceiro lugar está o empresário Yani Rosenthal, do Partido Liberal, que voltou ao país em 2020 depois de cumprir pena de três anos por lavagem de dinheiro nos Estados Unidos.
Os planos de governo apresentados por Castro e Asfura para lidar com este cenário são opostos. Para o candidato do Partido Nacional, “o país não aguenta mais impostos, temos que sentar com organismos internacionais para encontrar caminhos”, e reforçou que não vai aumentar impostos. “Não vamos nos afogar”, disse.
Já para Castro, “uma auditoria internacional sobre a dívida interna e externa, e o reajuste da dívida” é a melhor resposta para enfrentar a crise.
A violência contra mulher também é uma questão que assola o país, sendo que desde 2005 até janeiro passado, mais de 6 mil hondurenhas foram assassinadas, número que levou a ONU Mulheres a instar o governo hondurenho a incorporar a perspectiva de gênero em seus programas. Neste contexto, Castro apresenta-se como representante de um partido “feminista, antipatriarcal, revolucionário e inclusivo”, pondo em xeque o bipartidarismo – Partidos Nacional e Liberal – pelo qual o país se organizou ao longo de quase 120 anos.
No âmbito da educação, Castro se propõe a reforçar a “educação gratuita e universal”, enquanto Asfura aposta no aumento da tecnologia nos centros educativos e na melhoria do Instituto Nacional de Formação Profissional (Infop).

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Pesquisa eleitoral aponta vantagem para Xiomara Castro, esposa do ex-presidente Manuel Zelaya, deposto em 2009
No que se refere à migração, há um ponto em comum entre os dois: ambos propõem o fortalecimento das relações com os Estados Unidos para tratar do tema, mas enquanto Asfura quer contê-la com a “tecnificação” da população e a oferta do país como Indústria auxiliar de outras economias, Castro propõe a geração de empregos e oportunidades de desenvolvimento, segundo a RT.
O contexto socioeconômico em Honduras é marcado por uma queda histórica de 9% no PIB em 2020, de acordo com o Banco Central, por conta da pandemia, e agravado pelos furacões Eta e Iota, que impactaram a infraestrutura nacional no ano anterior.
Honduras tem cerca de 9,5 milhões de habitantes e faz fronteira com Guatemala, El Salvador e Nicarágua. A agricultura é o setor mais importante da economia do país, com destaque para o cultivo de café, banana e azeite de dendê.
De acordo com pesquisa da Universidade Nacional, 73% da população do país está abaixo da linha da pobreza, 52% da população está na pobreza extrema, 72% da população está na economia informal e o número de pessoas que migram para fora do país disparou.
ONU pede que eleições sejam uma “verdadeira festa cívica”
O ambiente eleitoral em Honduras é marcado por violência e instabilidade, desde que, em 2009, o presidente Zelaya foi deposto na mira de fuzil dentro do palácio presidencial após propor alterar a Constituição hondurenha de 1982, que vedava a reeleição de um presidente para um segundo mandato.
Na época, Zelaya foi enviado à Costa Rica sob acusação de “desobediência constitucional”. No primeiro mandato de Hernandez, a Justiça autorizou a modificação na matéria constitucional e liberou a reeleição.
Em 2017, durante a apuração de votos para decidir o próximo mandatário do país, a contagem apontava uma liderança de Salvador Nasralla, oposição de Hernandez. Um apagão, no entanto, interrompeu a apuração, e quando a contagem retornou, o presidente em exercício havia sido reeleito.
Neste sábado (27/11), um dia antes do pleito atual, a ONU emitiu uma nota dizendo que espera que o dia das eleições “seja uma verdadeira festa cívica, na qual hondurenhos e hondurenhas possam participar e exercer seu direito de voto de forma informada e pacífica, em condição de igualdade, sem qualquer tipo de discriminação e na plena garantia dos direitos humanos”.
(*) Com Brasil de Fato, Télam e teleSur.























