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Numa movimentada manhã de 11 de março de 2004 em Madri, quando milhares de trabalhadores se dirigiam ao trabalho, dez bombas explodem em quatro trens em três estações de transferência, matando 191 e ferindo aproximadamente 2 mil pessoas. Os peritos, mais tarde, chegaram à conclusão que as bombas foram detonadas por telefones celulares.

Pensou-se inicialmente que os ataques – os mais mortais contra civis em solo europeu desde a derrubada de um avião sobre Lockerbie, na Escócia, em 1988 – tivessem sido de autoria de militantes do grupo separatista basco do ETA e esta suposição foi fartamente difundida pelo presidente do governo espanhol, José María Aznar. Esta versão logo se provou incorreta e maliciosa quando surgiram indícios de que a ação havia sido perpetrada por um grupo extremista islâmico indiretamente ligado à rede Al-Qaeda, porém supostamente agindo em nome dela.

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Investigadores acreditaram que todas as explosões foram provocadas por dispositivos improvisados colocados em mochilas e levados aos trens. Aparentemente, os terroristas tinham como alvo a estação de trens de Atocha, na qual foram detonadas sete das dez bombas. As outras bombas foram detonadas nas estações de El Poso del Tío Raimundo e Santa Eugenia, muito provavelmente devido ao atraso dos trens na viagem em direção a estação de Atocha. Outras três bombas não detonaram conforme planejado e foram mais tarde encontradas intactas.

Muitos na Espanha e em todo o mundo viam os ataques como uma retaliação à participação do país na guerra no Iraque, onde cerca de 1,4 mil soldados espanhóis estavam na época. Os atentados tiveram lugar dois dias antes das eleições gerais na Espanha. O governo de Aznar não aguardou sequer o início das investigações para culpar a ETA dos atentados, buscando ligar o grupo basco aos opositores socialistas e alegando que o PSOE era leniente com eles. A resposta dos socialistas e dos partidos de oposição ao direitista Partido Popular foi convocar seus simpatizantes às ruas e denunciar a manobra eleitoreira de Aznar. Resultado: os socialistas saíram vitoriosos das urnas.

O novo governo, chefiado por José Luís Rodríguez Zapatero, retirou as tropas do Iraque em maio de 2004. Um segundo atentado, fracassado, aconteceria nas linhas dos trens de alta velocidade AVE. No dia seguinte, a polícia espanhola relacionou os ocupantes de um apartamento em Leganes, ao sul de Madri, aos atentados. Na investida policial que se seguiu, sete suspeitos foram mortos na troca de tiros o mesmo ocorrendo com um agente das forças especiais na tentativa de desativar as bombas instaladas no apartamento, que deveriam ser acionadas para evitar a captura pelos policiais. Acredita-se que outro terrorista morreu durante os atentados e 29 foram presos.

Epílogo

Depois de um processo de cinco meses de duração em 2007, 21 pessoas foram condenadas, embora cinco delas, incluindo Rabei Osman, suposto líder do bando, fossem posteriormente absolvidos.

Em memória das vítimas dos atentados de 11 de março, oliveiras e ciprestes foram plantadas no parque El Retiro, em Madri, próximo à estação de trem de Atocha.

*Com informações de jornais espanhóis da época. 

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Hoje na História: Terroristas detonam bombas em trens de Madri

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