Hoje na História: Mumia Abu-Jamal é preso por suspeita de assassinato
Hoje na História: Mumia Abu-Jamal é preso por suspeita de assassinato
No dia 9 de dezembro de 1981, o corpo do policial Daniel Faulkner é encontrado em uma rua na Filadélfia, nos Estados Unidos, tendo ao seu lado, gravemente ferido, o ativista negro e jornalista free-lancer Mumia Abu-Jamal. Embora não haja flagrante, Abu-Jamal é preso, acusado de matar Faulkner, julgado e condenado à morte. Entretanto, por causa das circunstâncias obscuras e de um processo que muitos consideraram injusto, ativistas em várias partes no mundo protestam desde então, defendendo que Abu-Jamal é, na verdade, inocência.
Antes, Abu-Jamal trabalhara como jornalista em uma emissora da NPR (a rádio pública nacional dos EUA), mas havia sido demitido devido à sua franqueza de opinião. Para complementar a renda, passa a trabalhar como taxista duas vezes por semana.
A versão da acusação é a de que, na noite do crime, por volta das 4 da madrugada, Abu-Jamal estava dirigindo o táxi quando teria visto seu irmão envolvido em uma discussão com Faulkner na rua. As evidências utilizadas no processo sugeriram que Abu-Jamal teria intervindo na briga com um revólver e trocado tiros com o policial.
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Desde o princípio, muita gente considera o processo injusto. Mesmo tendo sido encontrado em estado crítico, Abu-Jamal é levado a julgamento seis meses depois, em 17 de junho de 1982. O processo estende-se até 3 de julho. O réu, de tão debilitado, não consegue estar presente às sessões do tribunal. A acusação usa o direito de substituir jurados, conseguindo limitar o júri a dois membros negros e dez brancos. Diversos observadores notam que o juiz Albert Sabo está predisposto contra o acusado. Abu-Jamal pede para fazer a própria defesa e é atendido, mas forçado também a aceitar um advogado nomeado pela Justiça como uma espécie de “conselheiro legal”. Este acaba sendo excluído do processo porque suas perguntas aos jurados foram consideradas “intimidatórias”.
No fim do julgamento, Mumia Abu-Jamal é sentenciado à pena de morte por assassinato em primeiro grau. Muitos acreditam que, embora exista a possibilidade de Abu-Jamal estar envolvido de fato na morte de Faulkner, a sentença foi draconiana. Aguardando na cadeia a execução da pena, Abu-Jamal escreve diversos livros e dá entrevistas defendendo o fim do racismo. Insiste também em um novo julgamento.
As pressões pela suspensão de sua execução tornou-se nos últimos tempos mais forte do que nunca, apesar de setores da sociedade e da mídia nos EUA manterem a opinião de que ele seja culpado. O governador de Nova Jérsei, organizações policiais e a viúva de Faulkner protestaram contra o show Free Mumia, organizado em janeiro de 1999 pela banda ativista Rage Against the Machine.
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