Hoje na História: Morre Império Otomano e nasce República da Turquia
Hoje na História: Morre Império Otomano e nasce República da Turquia
No dia 29 de outubro de 1922, o medieval Império Otomano, que se considerava protetor de Meca e herdeiro do califado original de Maomé, foi extinto para dar lugar à moderna, secular e ocidentalizada República da Turquia, tendo à frente Mustafá Kemal Atatürk. O fundador do Estado turco moderno adotou o novo nome em 1934, quando ordenou que todos os cidadãos adotassem um sobrenome, prática que no império era inexistente. O nome, escolhido a partir do epíteto, na língua turca quer dizer “pai dos turcos”.
Atatürk tornou-se o primeiro presidente da nova república, mas não facilmente. Antes, precisou enfrentar invasões, litígios com vizinhos e minorias étnicas internas, nas guerras Franco-Turca, Greco-Turca e Turco-Armênia – coletivamente conhecidas na Turquia como a “guerra de independência”. Terminados os conflitos, foi assinado o Tratado de Lausanne, na cidade suíça, em que as potências reconheceram oficialmente o novo Estado, desenhando as fronteiras do país que persistem até os dias de hoje.
Mustafá Kemal tinha 42 anos quando a República da Turquia foi fundada. Queria instituir amplas e progressivas reformas políticas, econômicas e sociais a fim de transformar profundamente a sociedade turca, de súditos de um vasto império em cidadãos de um Estado-nação moderno, democrático e secular.
Nascido em Tessalônica (atualmente na Grécia) em 1881, o jovem Mustafá formou-se como jovem oficial em 1905 e serviu em Damasco (hoje, Líbia), onde logo aderiu a uma sociedade secreta, braço do amplo movimento reformista Jovens Turcos. Mais tarde, foi transferido para a Macedônia e depois para a Líbia. Conhecendo várias das então províncias do império, desenvolveu um profunda compreensão das diferenças entre as nacionalidades e do poder centralizador otomano.
Sua participação no movimento nacionalista de resistência começou ao ser nomeado para o cargo de inspetor-geral, encarregado de supervisionar as unidades militares otomanas. Em 19 de maio de 1919, após a Primeira Guerra (em que a Turquia foi derrotada), já como líder, partiu de Istambul para estabelecer um movimento organizado de resistência contra as forças aliadas ocupantes. Abandonou o exército em 8 de julho e passou a ser procurado pelo governo otomano, que expediu contra ele um mandado de prisão, posteriormente trocado por uma condenação à morte.
Em 23 de abril de 1920, uma Grande Assembléia Nacional foi inaugurada oficialmente, com Mustafá Kemal como presidente. Em 10 de agosto do mesmo ano, o grão-vizir (primeiro-ministro) Damat Ferid Pashá assinou o Tratado de Sèvres. Após a derrota otomana, as potências vencedoras retalharam o império e o tratado previu um controle militar dos aliados sobre os turcos. Contudo, o exército montado por Atatürk entrou em luta para recuperar determinados territórios e proclamar a independência completa. O exército turco enfrentou forças de ocupação em três frentes de batalha. O confronto final, na Batalha de Dumlupınar (com i sem ponto, exclusivo do idioma turco), foi travado entre agosto e setembro de 1922, e consistiu de um ataque frontal às linhas gregas em Afyonkarahisar.
A Grande Assembléia Nacional votou novas leis que iriam varrer os últimos vestígios do império otomano. Secularizou a sociedade turca, reduzindo o papel dominante do Islã e iniciando a industrialização. O primeiro decreto aboliu o califado. O último califa, Abdülmecid II, foi expulso de Istambul dias mais tarde. O segundo decreto unificou o ensino no país. As instituições religiosas corânicas desapareceram. As escolas, as associações e as publicações em curdo (a maior das minorias étnicas no novo território) foram interditadas. A última medida suprimiu o Ministério dos Assuntos Religiosos. Pouco depois, foram implantados o alfabeto latino e o calendário gregoriano em toda a Turquia e foi estabelecido o dia de descanso semanal.
Após a morte de Atatürk, em 1938, gradualmente o sistema de governo parlamentar e uma multiplicação de partidos foram deitando raízes. Ocorreram períodos de grave instabilidade e breves intervalos de ditaduras militares. A Turquia manteve-se neutra durante a maior parte da Segunda Guerra Mundial e só no final, em fevereiro de 1945, declarou guerra à Alemanha e ao Japão, sem tomar parte ativa no conflito.
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