Domingo, 10 de maio de 2026
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A noite de 2 de Outubro de 1968, chamada pela escritora mexicana Elena Poniatowska como Noite de Tlatelolco, ficou marcada pelo massacre que aconteceu na Plaza de las Tres Culturas, em Tlatelolco, no México, poucos dias antes do início dos Jogo Olímpicos que seriam disputados na capital mexicana.

O número de vítimas fatais daquela chacina até os dias de hoje permanecem incertos. Segundo alguns dados cerca de mil pessoas foram mortas, para outros, mais moderados, o número gira em torno de 200 e 300. Já as fontes governamentais nunca se opsueram a versão que somente 4 mortos e 20 feridos sairam daquela noite.

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O Massacre de Tlatelolco foi precedido de instabilidade política na capital mexicana que já durava meses, repercutindo manifestações e revoltas estudantis ocorridas um pouco por todo o mundo em 1968, especialmente o maio francês. Os estudantes mexicanos pretendiam atrair a atenção do mundo que estava voltada para a realização na Cidade do México dos Jogos Olímpicos de 1968. Contudo, o presidente Gustavo Díaz Ordaz estava determinado a coibir e a proibir os protestos estudantis, e em setembro ordenou ao exército que ocupasse o campus da UNAM (Universidade Nacional Autónoma do México), a maior da América Latina. Os estudantes foram espancados e detidos de forma indiscriminada. Reagindo à repressão ordenada pelo governo, o reitor da UNAM, Javier Barros Sierra, renuncia em 23 de Setembro.

 

Esta atitude não fez refluir a onda de protestos estudantis. As manifestações aumentaram até que no dia 2 de outubro quando as greves estudantis já se estendiam por nove semanas, 15 mil estudantes de várias universidades invadiram as ruas da Cidade do México, ostentando cravos vermelhos como sinal de protesto contra a ocupação militar da UNAM. Ao cair da noite, cerca de 5 mil estudantes e trabalhadores, muitos deles acompanhados das mulheres e filhos, estavam reunidos no exterior de um bloco de apartamentos situado na Plaza de las Tres Culturas em Tlatelolco para o que deveria ser uma manifestação pacífica. Em meio aos cânticos entoados pela multidão, bradavam-se as palavras de ordem  México – Libertad. Os líderes da manifestação tentaram em vão dispersá-las quando viram que o confronto com o exército seria inevitável e que muito sangue correria dado o poderoso aparato militar demonstrado.

 

O massacre teve início ao pôr-do-sol quando forças do exército e da polícia – equipadas com carros blindados e tanques – cercaram a praça e começaram impiedosa e indiscriminadamente a abrir fogo contra a multidão, atingindo não só os manifestantes mas também pessoas que se encontravm no local. Manifestantes, inclusive crianças, foram atingidos pelos disparos e em pouco tempo os corpos amontoavam-se na praça. A carnificina avançou noite adentro, com os soldados a efetuar operações de busca de casa em casa nos edifícios de apartamentos junto à praça.

Testemunhas afirmam ter visto os corpos serem recolhidos por caminhões do lixo. A explicação oficial dada pelo governo para os acontecimentos era de que provocadores armados misturados entre os manifestantes e postados nos edifícios adjacentes tinham iniciado os disparos e que o exército, encontrando-se debaixo de fogo, não teve outro recurso se não reagir à altura como medida de auto-defesa.

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Hoje na História: 1968: Exército mexicano deixa centenas de mortos no Massacre de Tlatelolco

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