Hoje na História: 1925 - Professor é condenado por ensinar a teoria da evolução nos EUA
Hoje na História: 1925 - Professor é condenado por ensinar a teoria da evolução nos EUA
Em 21 de julho de 1925, o professor John T. Scopes é condenado por violação da lei que proibia o ensino da teoria da evolução nas escolas públicas do Tennessee, nos Estados Unidos. O caso, na verdade, jamais suscitou qualquer dúvida quanto ao resultado. Os jurados apenas trocaram ideias por alguns poucos momentos na sala reservada antes de retornarem ao salão do tribunal já com o veredicto de culpa. Ainda assim, os defensores da teoria darwinista da evolução conseguiram ganhar a batalha da opinião pública – que era o que estava em jogo, no fundo.
A despeito da percepção popular do caso, estimulada em parte pela peça teatral de Jerome Lawrence e Robert Edwin Lee, encenada com sucesso na Broadway e pelo premiado filme Inherit the Wind (O Vento Será Tua Herança – 1960), dirigido por Stanley Kramer e estrelado por um elenco excepcional com Spencer Tracy, Frederic March e Gene Kelly nos papeis principais, o “Caso Scopes” ou o “The Monkey Trial” (O Julgamento do Macaco) simplesmente não passou de um show judicial. Em 4 de maio de 1925, a American Civil Liberties Union (União Americana pelas Liberdades Civis) publicou um anúncio em jornal oferecendo ajuda a qualquer professor do Tennessee disposto a desafiar a lei que pôs na ilegalidade o ensino da Teoria da Evolução de Charles Darwin. George Rappleyea, um nova-iorquino que viajara a Dayton, Tennessee, leu o anúncio e persuadiu os habitantes da localidade que Dayton poderia ser o foro do julgamento o que despertaria interesse pela cidade.
Os líderes dos menos de 2 mil habitantes de Dayton rapidamente abraçaram a ideia de Rappleyea. O superintendente escolar concordava com a lei, porém desejava atrair notoriedade para a cidade. Até mesmo os procuradores de Dayton assentiram com o trato. A última peça do quebra-cabeças era encontrar um defensor da causa da evolução. John T. Scopes, 24 anos, professor de ciências do colégio da cidade e treinador de futebol Americano, concordou em desempenhar o papel embora não estivesse em seus planos permanecer na cidade por muito tempo. Ninguém estava na verdade preocupado se ele realmente ensinara evolução aos seus alunos. O fato de que ele estava usando os livros escolares de ciência aprovados oficialmente, que incluíam um capítulo sobre a teoria darwiniana era considerado suficiente. Um mandado de prisão de Scopes foi expedido e se noticiou que o processo começaria no verão.
Embora o restante de Tennessee se manifestasse descontente com o plano de Dayton, 500 lugares foram acrescentados à sala do tribunal da cidade para receber a imprensa e demais espectadores além de alto-falantes que foram dispostos no gramado fronteiro e em 4 auditórios das proximidades. Isto se provou necessário quando figuras de destaque do panorama nacional no debate do evolucionismo versus criacionismo tomaram para si o caso que não ficou restrito aos advogados locais. William Jennings Bryan, um ex-congressista quem por duas vezes havia concorrido à presidência antes de servir como Secretário de Estado de Woodrow Wilson, assumiu a acusação. Bryan havia pessoalmente iniciado a campanha contra o evolucionismo nos Estados Unidos. A lei de Tennessee foi seu primeiro grande sucesso.
Sabendo que este seria o fórum perfeito para debater com Bryan a questão do evolucionismo e do criacionismo, o eminente advogado liberal Clarence Darrow conseguiu ligar-se ao caso como advogado de defesa. Enquanto a imprensa se transferia em massa a Dayton para o embate entre as duas personalidades excepcionais, uma estação de rádio de Chicago iria transmitir o julgamento ao vivo pela primeira vez nos Estados Unidos.
A sessão de julgamento foi aberta em 10 de julho com magníficas exposições tanto de Bryan quanto de Darrow. Contudo, logo se tornou evidente que o presidente da corte não iria cooperar e alimentar o debate: cortava amiúde a tentativa de debater a validez do evolucionismo. O julgamento caminhava para ser um acontecimento absolutamente sem incidentes, quando repentinamente Darrow apresenta um estratagema: chama Bryan como testemunha. Embora o juiz jamais permitisse que um advogado de acusação fosse citado como testemunha de defesa, Bryan não se atreveu a fugir do desafio. Num diálogo que se tornou famoso, Darrow questionou Bryan sobre a literal interpretação do relato da Bíblia sobre o começo do mundo. Com perguntas magistrais, Darrow obrigou Bryan a admitir que uma interpretação puramente literal não era possível, fazendo-o parecer bastante apalermado.
A performance de Darrow não salvou Scopes de uma condenação e de 100 dólares de multa (transformada posteriormente num detalhe técnico), mas na imprensa como um todo a teoria da evolução ganhou claramente o debate.
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