Hoje na História: 1906 - Explode a mina de Courriéres, na França
Hoje na História: 1906 - Explode a mina de Courriéres, na França
Em 10 de março de 1906, a explosão em uma mina de carvão matou mais de mil trabalhadores em Courrieres, na França. Uma fagulha de fogo subterrâneo desencadeou uma maciça explosão que destruiu virtualmente um vasto labirinto de minas.
As minas de carvão de Courriere eram uma complexa série de minas próximo às montanhas do Pas-de-Calais. Os túneis no interior da mina saiam de diversos lugarejos da área e mais de dois mil homens e garotos trabalhavam nas jazidas, fazendo prospecções em busca do carvão utilizado principalmente na fabricação de gás.
Wikicommons

Uma ilustração de um jornal da época mostrando como foi o resgate
Tudo começou quando, por volta das 15h de 9 de março, um incêndio começou a 270 metros de profundidade, no que era conhecido como a galeria Cecil. Incapazes de extingui-lo imediatamente, os trabalhadores decidiram fechar as saídas dos poços, privando o fogo de ar. Na manhã seguinte, com 1.795 mineiros dentro dos profundos túneis da mina, uma enorme explosão ocorreu exatamente na Cecil.
Aparentemente, fissuras nas paredes dos túneis permitiram que gases inflamáveis se infiltrassem, desencadeando um incêndio a partir do fogo que ainda ardia lentamente. A mina era uma das maiores da França no começo do século XX. No dia da
tragédia, o turno de trabalho havia acabado de começar, às 07h, quando a
explosão aconteceu. O pó de carvão se acumulou no chão, nas paredes e
no teto dos túneis. O pó não queimou completamente, se transformando
numa nuvem de pó de carvão, que, por ser rica em monóxido de carbono,
“roubou” todo o oxigênio do ar e se espalhou por todos os espaços.
Chamas escapavam furiosamente de cada abertura da mina e muitas pessoas sofreram graves queimaduras. Uma vez que as chamas continuavam a arder, o pessoal de resgate e familiares viram-se impedidos de enviar qualquer ajuda. Um grupo de resgate de 40 homens pagou alto preço por sua tentativa. Foram todos mortos quando um fosso através do qual desciam ruiu. Soldados franceses foram chamados para impor ordem ao caos que se estabeleceu no entorno da mina.
Assim que os corpos foram sendo encontrados, surgiu a necessidade de montar uma câmara mortuária perto da mina. Levou semanas para que os corpos fossem encontrados e identificados. O resultado final do desastre foi de 1099 mineiros mortos e centenas mais com graves ferimentos.
Os trabalhadores que estavam nos túneis secundários ainda conseguiram ser salvos, alguns terrivelmente feridos. Mas os que estavam no túnel principal, que ficou com a entrada bloqueada, morreram quase todos.
No dia 30 de março – ou seja, vinte dias depois da explosão – um grupo de 13 sobreviventes foi encontrado na mina. Sobreviveram comendo as marmitas de companheiros mortos. Os dois sobreviventes mais velhos – de 39 e 40 anos – receberam a Legião de Honra. Os outros 11, todos com menos de 18 anos, receberam a Medalha da Coragem. Um último sobrevivente foi encontrado no dia 4 de abril. O número total de mortos chegou a 1.099, muitos deles crianças e adolescentes, já que o trabalho infantil era comum à época.
Foi o pior acidente do gênero na Europa e o segundo em todo o mundo, só superado por um acidente na mina chinesa de Benxihu, ocorrido em 1942, que matou 1.542 mineiros.
Outros fatos marcantes da data:
10/03/1876: Graham Bell, inventor do telefone, faz a primeira ligação
10/03/1971: Tupamaros sequestram o procurador-geral do Uruguai, Guido Uribe
10/03/1998: Ditador Augusto Pinochet assume a cadeira de senador vitalício
Siga o Opera Mundi no Twitter
Conheça nossa página no Facebook
NULL
NULL
NULL























