Hillary admite responsabilidade dos EUA no narcotráfico mexicano
Hillary admite responsabilidade dos EUA no narcotráfico mexicano
Os governos do México e dos Estados Unidos decidiram durante reunião na Cidade do México trabalhar com “medidas concretas para destruir a capacidade das organizações criminosas e reforçar a segurança das instituições” nos dois países, disse a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, que também reconheceu a responsabilidade dos EUA no combate ao narcotráfico.
A funcionária viajou ao México à frente de uma comitiva de representantes de Washington, entre eles os secretários da Defesa, Robert Gates, e da Segurança Nacional, Janet Napolitano. O objetivo da visita era se reunir com autoridades do país vizinho a fim de discutir estratégias conjuntas para combater o narcotráfico. Pelo lado mexicano participaram do diálogo a chanceler Patricia Espinosa e o ministro do Interior, Fernando Gómez Mont.
Leia também:
Guerra contra o tráfico é 11 de Setembro mexicano, diz jornalista
Calderón aponta co-responsabilidade dos EUA no combate ao crime organizado
Possível intervenção militar dos EUA no combate ao narcotráfico preocupa mexicanos
As medidas discutidas, indicou Hillary, têm como propósito constituir “comunidades mais fortes e resistentes aos cartéis” do narcotráfico. A secretária norte-americana disse ainda que os dois países também chegaram a um acordo para “lançar iniciativas sociais” que possam ser úteis para conter a violência na região da fronteira, especialmente nos pontos que ligam as cidades mexicanas de Tijuana e Ciudad Juárez a San Diego e El Paso, respectivamente.
Outros planos analisados dizem respeito à necessidade de reforçar ações de inteligência e adequar leis “para prevenir crimes financeiros”, além de “trabalhar bilateralmente para combater o comércio ilegal de armas”.
“O governo dos EUA quer reforçar a fronteira e a segurança aérea contra os cartéis”, afirmou Hillary, acrescentando que tal medida estaria incluída no pacote da Iniciativa Mérida, criada em 2008 e por meio da qual Washington envia ajuda ao México.
Ela ressaltou que os EUA aceitam “a sua responsabilidade” na questão e disse que os cartéis estão “levando a guerra à sociedade civil”. Hillary também se referiu às mortes, ocorridas há pouco mais de uma semana em Ciudad Juárez, de três pessoas ligadas ao consulado norte-americano. O crime causou indignação na Casa Branca e agentes do FBI foram enviados ao México para trabalhar nas investigações.
“Vimos com muita preocupação tragédias terríveis no México, e nossos corações estão partidos pelos assassinatos ocorridos em [Ciudad] Juárez”, lamentou. Falar destes crimes, prosseguiu, “nos lembra que temos de fazer muitas coisas juntos para combater as ameaças das redes internacionais de criminosos”.
Segundo ela, a violência do narcotráfico “coloca em risco o progresso e o desenvolvimento econômico” de ambas as nações.
Já Patricia Espinosa disse que os dois países acordaram elaborar um estudo comum para colher informação completa e confiável sobre a demanda por drogas nos EUA. Assim, afirmou, seria possível “encarar este desafio de maneira mais coordenada e eficaz”.
Desde 2006, ano em que Felipe Calderón chegou à presidência do México, estima-se que ao menos 19 mil pessoas tenham sido mortas em crimes ligados ao narcotráfico.
Siga o Opera Mundi no Twitter
NULL
NULL
NULL























