Quarta-feira, 29 de abril de 2026
APOIE
Menu

O procedimento de coleta de amostras de DNA dos irmãos Marcela e Felipe Noble Herrera, filhos adotivos da dona da holding Clarín, na Argentina, foi realizado nesta segunda-feira (7/6) “com toda a normalidade, tal como marca a lei” no Banco Nacional de Dados Genéticos, em Buenos Aires, anunciou a agência de notícias argentina Télam.

“Começou a perícia sobre o material recolhido no dia 28 de maio que corresponde a Marcela e Felipe Noble Herrera. As partes não manifestaram nenhuma queixa, de modo que isto vai continuar normalmente”, disse o representante da entidade Avós da Praça de Maio, Mariano Gaitán, na porta do hospital onde foi realizada a coleta.

Leia mais: 

Argentina julga repressores que atuaram na Operação Condor 

Filhos de diretora do “Clarín” devem comparar DNA com de desaparecidos
 

Juízes argentinos são acusados de adoção ilegal de bebê na ditadura 

Reportagem especial: Por dentro da escola de tortura argentina 

Os advogados de ambas as partes, jornalistas e a juíza que conduz o caso estiveram presentes no ato de coleta. Ao mesmo tempo, militantes de organizações de direitos humanos, sociais e sindicais realizaram um abraço simbólico à sede do Banco Nacional de Dados Genéticos.

“Nos próximos dias teremos notícias sobre o resultado”, prometeu Gaitán, sem fixar prazos.

Em declarações ao jornal La Nación – concorrente do Clarín –, o ministro da Ciência e Tecnologia argentino, Lino Barañao, defendeu o trabalho do Banco Nacional de Dados Genéticos, de questionamentos feitos pela imprensa do país. Para ela, o organismo está “cercado por todos as garantias” para evitar qualquer erro ou a manipulação de dados. “Há peritos das partes, que controlam tudo, a todo momento”, afirmou.

Histórico

A verdadeira identidade de Felipe e Marcela Herrera Noble é questionada por algumas organizações defensoras de direitos humanos na Argentina, principalmente a Associação das Avós da Praça de Maio, que afirmam que os dois são filhos de desaparecidos da última ditadura militar na Argentina (1976-1983).

Durante a ditadura, muitos filhos de prisioneiros políticos foram sequestrados e entregues clandestinamente a militares ou a simpatizantes do regime. Estima-se que 500 crianças tenham sido separadas dos pais na Argentina na época.

Desde 2001, quando começaram as acusações, Felipe e Marcela se recusam a fazer o exame. A questão deixou de ser opcional em novembro de 2009, quando o congresso argentino aprovou uma lei de exame compulsório de DNA. A mudança na legislação tornou inviável a postura dos filhos. Se for comprovado que os irmãos foram sequestrados, Ernestina Herrera de Noble pode ser presa.



Siga o Opera Mundi no Twitter. 

Herdeiros do Clarín fazem coleta para exame de DNA

NULL

NULL

NULL