Haiti já enterrou 7 mil vítimas em vala comum, diz presidente
Haiti já enterrou 7 mil vítimas em vala comum, diz presidente
O presidente do Haiti, René Préval, afirmou nesta quinta-feira (14) que cerca de 7 mil corpos de pessoas mortas no terremoto de terça-feira no país já foram enterradas em uma vala coletiva.
“Já enterramos 7 mil em uma vala comum”, disse Préval a repórteres no aeroporto de Porto Príncipe, enquanto acompanhava a chegada do presidente da vizinha República Dominicana, Leonel Fernández, o primeiro chefe de Estado a visitar o Haiti depois da tragédia.
Ontem, o primeiro-ministro do país, Jean Max Bellerive, falou de “centenas de milhares” de mortos. O próprio Préval, em entrevista à emissora norte-americana CNN, estimou que o número de vítimas chegue a 50 mil.
A ONU divulgou na noite de quinta-feira que o número de funcionários da organização mortos na tragédia já chega a 36, enquanto o de desaparecidos permanece em 150. Entre estes últimos, estão o chefe e o vice-chefe da missão da ONU no Haiti, o tunisiano Hédi Annabi e o brasileiro Luiz Carlos Costa, respectivamente.
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O auxílio para enterrar as vítimas é uma das prioridades definidas pela comitiva brasileira que está no país, liderada pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim. Mais de 48 horas depois da tragédia, várias ruas de Porto Príncipe continuam cobertas por corpos.
Pistas lotadas
Também hoje, o governo do Haiti suspendeu a entrada de mais aviões americanos no país, já que não há pistas disponíveis para novas aterrissagens, disse a porta-voz da agência de aviação dos Estados Unidos, Laura Brown.
Em declarações à imprensa, Brown afirmou que outro motivo que levou o governo haitiano a impedir a entrada de voos norte-americanos em Porto Príncipe é a falta de combustível para o reabastecimento das aeronaves.
Por conta disso, a FAA parou de autorizar decolagens com destino ao país centro-americano. Novos voos só serão liberados quando houver pistas disponíveis.
O volume de doações feitas por diversos países, no entanto, continua crescendo. A quantia somada até a quinta-feira já chegava a 340 milhões de dólares; só em doações feitas por mensagens de celular, a Cruz Vermelha nos EUA arrecadou 3 milhões de dólares.
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Segurança
A ONU anunciou que o argentino Gerardo Chaumont será o novo chefe da Polícia do Haiti, segundo o Ministério da Justiça da Argentina.
Chaumont, que é comandante geral da polícia militar argentina, foi escolhido “em virtude de sua vasta trajetória em missões de paz”, informou uma nota.
Além de Leonel Fernández, outra autoridade de alto escalão na América Latina a chegar ao Haiti foi o primeiro-ministro do Peru, Javier Velásquez Quesquén, que lidera uma comitiva que leva ao país caribenho a experiência no resgate a vítimas soterradas por abalos sísmicos. Em agosto de 2007, parte do Peru foi assolada por um terremoto de 7,9 graus na escala Richter que deixou mais de 500 mortos e destruiu milhares de casas.
Nova “Peter Pan”
Enquanto isso, em Miami, a arquidiocese da cidade propôs que crianças haitianas que ficaram órfãs no terremoto sejam adotadas por famílias norte-americanas.
O diretor de serviços legais da arquidiocese, Randolph McGrorty, disse que a Igreja entrou em contato com a Casa Branca para sugerir o programa de adoção, a partir do qual as crianças haitianas entrariam no país com vistos humanitários.
“Devido à magnitude do ocorrido no Haiti, é uma prioridade trazer estas crianças órfãs para os EUA”, disse McGrorty em entrevista coletiva no gabinete do congressista cubano-americano Mario Díaz-Balart, anticastrista e sobrinho de Fidel Castro.
A Igreja Católica utilizaria o mesmo sistema usado durante a operação “Peter Pan”, que tirou mais de 14 mil crianças de Cuba e as levou para os EUA entre 1960 e 1962, nos primeiros anos do regime revolucionário.
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