Sábado, 4 de abril de 2026
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Londres é uma cidade tomada por policiais na semana do aniversário do 11 de Setembro. Na mesma data, em 2001, uma série de ataques simultâneos contra os Estados Unidos matou quase três mil pessoas e destruiu o símbolo do capitalismo ocidental: o World Trade Center. Agentes da polícia londrina com cães farejadores revistavam ontem (10) estações de metrô e vagões dos trens, enquanto o acesso ao centro financeiro Canary Wharf foi bloqueado. Todos os carros eram checados antes de ingressarem no complexo.

Enquanto isso, uma sucessão de documentários transmitidos na TV britânica mostrava novas gravações do choque dos aviões com as Torres Gêmeas, incluindo cenas de pessoas pulando dos prédios, algo que não havia sido feito até então. Oito anos depois da tragédia, muitos ao redor do mundo se perguntam se já é tempo de se sentir mais seguro. Em outras palavras, a questão que fica é se estamos ganhando a chamada “Guerra contra o terrorismo”.

Alguns analistas respondem que sim, justificando sua visão pela ausência de outro ataque em solo norte-americano e por recentes avanços no campo militar, como a ofensiva do Exército paquistanês contra o Talibã no Vale de Swat e a ação da Força Aérea norte-americana na fronteira sem lei entre o Paquistão e o Afeganistão, que conseguiu dificultar o desenvolvimento dos campos de treinamento da Al Qaeda.

No entanto, outros estudiosos do tema enxergam um fortalecimento da Al Qaeda  em outros países – especialmente a Somália – como um mau presságio, acrescentando que é só um uma questão de tempo para que outro grande ataque ocorra.

Guerra longa

O especialista em Segurança Internacional da Chatham House, Michael Moodie,  afirma em entrevista ao Opera Mundi que a luta empreendida desde 11 de Setembro não serviu para eliminar, mas sim, manobrar a ameaça terrorista, o que tem sido feito de maneira bem-sucedida. “Nós estamos fazendo um trabalho melhor do que há cinco anos. Os Estados Unidos e as agências internacionais envolvidas no trabalho contra o terrorismo estão mais integradas e se comunicam melhor. Antes do 11 de Setembro, os norte-americanos não tinham a necessidade de fazer isso, o que se refletiu durante os casos de ataques com anthrax. Eles compreenderam que tinham de agir em grupo”, diz.

Uma prova disso, de acordo com o especialista, foi o sucesso dos serviços ocidentais de inteligência em frustrar planos em 2006 para matar milhares de pessoas que embarcavam em aviões vindos da Inglaterra para aeroportos dos Estados Unidos.

Mas Moodie pede cautela: “Não se enganem, a luta contra o terrorismo será muito, muito longa. A Al Qaeda tem grande poder de movimentação. Eles respondem muito bem a pressões; compreendem e se adaptam rápido às circunstâncias”.

Alguns observadores apontam que o fato de o terrorismo islâmico e a Al Qaeda terem sido levados a sério por si só já deveria nos fazer sentir mais seguros. Antes dos ataques contra os Estados Unidos isso não era realidade. Durante um jantar em Cabul há alguns anos, um renomado estudioso norte-americano em terrorismo, que preferiu não ser identificado, disse que estava prestes a publicar um livro sobre a Al Qaeda, quando ocorreram os ataques às Torres Gêmeas. A conclusão da publicação dizia que o grupo não era uma ameaça séria, só um bando de extremistas morando em cavernas.

 

Entretanto, os ataques aconteceram e ele teve tempo de mudar a conclusão.

Guerra contra o terrorismo ainda está longe de terminar, afirma especialista

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