Governos de esquerda conseguiram travar crise econômica na América Latina, diz Banco Mundial
Governos de esquerda conseguiram travar crise econômica na América Latina, diz Banco Mundial
O Banco Mundial considerou hoje (29) que os governos de esquerda na América Latina adotaram, nos últimos anos, políticas pragmáticas que conseguiram travar a crise econômica. Mesmo assim, isso não significa que a região consiga sair a curto prazo desta situação adversa, porque sua recuperação depende em grande parte da capacidade de retomada do resto do mundo.
“Não importa se é chamada de velha esquerda, nova esquerda, liberais ou neoliberais, o certo é que os líderes da região escolheram o caminho das soluções pragmáticas, uma mistura de políticas econômicas e fiscais com necessidades humanas”, disse a vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina, Pamela Cox, durante a Conferência sobre as Américas organizada pelo jornal Miami Herald, em Miami.
Segundo Cox, esse pragmatismo conseguirá diminuir a grande desigualdade que prevalece na região entre os ricos e pobres, e isto será muito importante para a América Latina, uma vez que esta consiga superar a crise. “À medida em que essas economias melhorem, aumenta a procura e o preço das mercadorias e exportações, das quais a região depende de modo capital”, comentou.
A vice-presidente do Banco Mundial acredita ainda que, em relação a outras regiões do mundo, a recuperação econômica da América Latina pode ser mais curta. “Aqui, não houve desvalorizações importantes de moedas nem colapsos bancários. Mas se a região não cresceu mais foi por causa do México que teve uma contração econômica e financeira de 3%”, acrescentou Pamela Cox.
No caminho oposto ao México está o Brasil, de acordo com a opinião de Augusto de La Torre, economista-chefe do Banco Mundial, em entrevista ao Opera Mundi. “Nisto, o Brasil teve um papel extraordinário. Conseguiu dinamizar sua economia, a fez crescer e recuperou a confiança dos mercados”, comentou.
Dívida ampliada
O Banco Mundial chegou à conclusão depois de constatar que metade do crescimento econômico da América Latina entre 2002 e 2008 se deu pelo aumento do preço das mercadorias e exportações no mercado mundial.
Mesmo assim, no próximo ano a região terá a sua dívida externa ampliada. Segundo Cox, a América Latina vai precisar de cerca de 400 milhões de dólares em empréstimos, pela falta de desenvolvimento de recursos internos.
“Não vai ser um empréstimo fácil de se conseguir, porque a maioria das entidades financeiras do mundo desenvolvido irá utilizar estes fundos para seus próprios pacotes de recuperação econômica, a exemplo dos Estados Unidos e da Europa”, disse a vice-presidente do Banco Mundial.
A este fator acrescenta-se o fato de que as exportações da região, incluindo o Caribe, vão registrar, em 2009, uma diminuição de 11%, a maior queda nos últimos 72 anos e “o que é pior, no próximo ano o crescimento será de 1%”, afirmou Cox.
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