Governo venezuelano anuncia pacote econômico para conter crise interna
Governo venezuelano anuncia pacote econômico para conter crise interna
Aproveitando o ritmo de recuperação econômica mundial, o governo da Venezuela anunciou medidas para conter a crise interna. As prioridades são estimular o crescimento, barrar a alta dos preços e gerar empregos. Em previsões apresentadas ontem (8) os ministros da área econômica informaram também que a economia deve encerrar o ano em retração e com inflação de 27%. Quanto ao petróleo, o governo espera que os valores se estabilizem e a expectativa é a de que o preço do barril fique em 40 dólares no próximo ano.
O projeto orçamentário de 2010, que será encaminhado ao Congresso na próxima semana, prevê um aumento de 7,5% nos gastos em relação ao orçamento deste ano, neste caso, os gastos subiriam para 83,7 bilhões de dólares.
Em 2010, a Venezuela deve ter um avanço de 0,5%. Em 2008, a economia cresceu 4,8%, mas no primeiro e no segundo trimestres deste ano houve retração de 1% e 2,4% respectivamente. Ao falar do desempenho da economia neste ano, o presidente do Banco Central, Nelson Merentes, afirmou que “poderemos ficar perto do 0%” e “provavelmente, decrescer”.
É a primeira vez desde 2003 que a economia venezuelana se retrai, afetada principalmente pela queda dos preços do petróleo, a principal fonte de rendimentos do país.
Alimentos e moradia
Entre as medidas econômicas anunciadas ontem por Merentes e pelos ministros Jorge Giordani, de Planejamento, e Alí Rodríguez Araque, de Finanças, está a criação de fundo para financiar o setor de alimentos e de construção de casas, com objetivo de fortalecer tais setores. A Venezuela importa 75% de todos os alimentos consumidos no país, e eventualmente sofre com a escassez.
O fundo poderá ser uma forma de tentar ajudar as empresas importadoras de alimentos que, como outras empresas importadoras do país, enfrentam dificuldades burocráticas para obter dólar no câmbio oficial, congelado em 2,15 bolívares por dólar.
No caso das moradias, o governo de Hugo Chávez quer estabelecer um modelo de financiamento público para compra de imóveis. Os ministros disseram também que o governo não desvalorizará o bolívar forte. No mercado paralelo, a moeda está em 5,40.
Rodríguez Araque afirmou que o governo emitirá mais títulos de dívida pública denominados em dólar, o que permite a empresas e pessoas físicas vender os papéis no mercado americano e obter dólares de forma legal e a um câmbio mais atraente que o mercado paralelo.
Nos dois casos, o país está recebendo apoio do Brasil. A Embrapa vem trabalhando com os venezuelanos na implementação de culturas agrícolas e a Caixa Econômica Federal tem levado experiência em financiamento de casas ao país.
O presidente do Banco Central da Venezuela rejeitou que o país aplique um pacote de medidas como as recomendadas pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), afirmando que o presidente Chávez “toma medidas todos os dias” para “conseguir o crescimento econômico, manter o emprego e travar a inflação”.
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