Governo mexicano cancela participação no Ano do México na França após declaração de Sarkozy
Governo mexicano cancela participação no Ano do México na França após declaração de Sarkozy
O Ano do México na França não começou bem. Após o presidente francês, Nicolas Sarkozy, anunciar que a celebração seria dedicada a Florence Cassez, francesa condenada no México a 60 anos de prisão por sequestro, o governo mexicano decidiu cancelar sua participação em todas as atividades binacionais do evento, tensionando as relações entre os países.
A comemoração, acordada entre Sarkozy e o presidente do México, Felipe Calderón, teria início em março, com a participação dos dois governos. Ao todo, mais de 350 atividades relacionadas a temas econômicos, científicos, educativos, culturais, turísticos, gastronômicos e de desenvolvimento sustentável estavam programadas.
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De acordo com o jornal mexicano El Universal, o governo francês garantiu que não deixará de promover o evento apesar da desistência mexicana e de pedidos de ativistas para que alguns programas culturais fossem cancelados como protesto.
O Ministério das Relações Exteriores do México, porém, considerou que não existem condições para que o Ano do México na França se realize de maneira apropriada e cumpra o própósito para o qual foi criado. Para o México, dedicar a celebração a Cassez “é um ultraje”.
Cassez, que tem 36 anos, foi presa em 2005 após manter, junto com o namorado mexicano, três reféns em um sítio. A quadrilha foi detida em uma ação policial e Cassez foi condenada a 60 anos de prisão, dos quais já cumpriu cinco. Na ocasião, seus advogados de defesa pediram sua absolvição, alegando que a detenção ocorreu em circunstâncias irregulares.
Na quinta-feira passada (10/02), a justiça federal do México rejeitou um recurso apresentado pela defesa de Cassez, informou o VII Tribunal Colegiado em sentença pública.
Desde então, Sarkozy intervém diretamente no caso. Esta, porém, não foi sua primeira intervenção no pedido de libertação da compatriota. Durante uma vista ao México em Março de 2009, o presidente francês pediu a Calderón a liberação de Cassez, mas o presidente mexicano negou.
O caso, que era judicial, foi transposto para o âmbito político, resultando em novas tensões entre os dois países nesta semana em razão da comemoração do evento multicultural.
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