Governo da Guatemala decreta estado de calamidade pública diante de crise de fome
Governo da Guatemala decreta estado de calamidade pública diante de crise de fome
O presidente da Guatemala, Álvaro Colón, decretou “estado de calamidade pública” no país para enfrentar a severa crise alimentícia que afeta a mais de 54 mil famílias pobres deste país e já matou mais de 25 crianças. A situação foi agravada pela intensa seca que afetou os principais campos de plantação.
“Isso nos permitirá ter acesso a recursos de cooperação internacional que se oferecem generosamente para este tipo de situações, assim como a mobilizar recursos do orçamento nacional com maior agilidade”, disse Colón em mensagem à Nação transmitida em cadeia de rádio e televisão ontem (9).
Causas
Guatemala, disse o líder, “viveu com altos e vergonhosos índices de pobreza, extrema pobreza e desnutrição durante décadas, provocado por uma longa história de desigualdade”.
Essas situações, agravadas por “as secas derivadas da mudança climática” e por “efeitos da crise econômica internacional”, foram, segundo Colón, “a causa da crise alimentícia e nutricional que o país está vivendo na atualidade”.
Mais de 54 mil famílias pobres, habitantes do denominado “corredor seco” do leste e nordeste da Guatemala, foram declaradas em estado crítico pela falta de alimentos para subsistir, devido à perda de suas colheitas de milho e feijões, base da dieta da população local. Outras 300 mil famílias habitantes dessa zona correm perigo de sofre a mesma situação pelas mesmas causas.
“Alimentos há, o que não há são recursos financeiros para que os afetados comprem os alimentos disponíveis”, lamentou o governante, que destacou que as ações que o governo realizou nas zonas afetadas por meio dos programas de combate à pobreza, “permitiram evitar que a problemática chegasse a níveis mais graves”.
Ajuda
O Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas iniciou hoje a distribuição em massa de cerca de 20 toneladas de “biscoitos nutritivos” nas comunidades mais afetadas pela crise alimentícia. Eles complementarão as bolsas de alimentos básicos que o governo começou a distribuir há duas semanas às 54 mil famílias afetadas pela crise.
Segundo números oficiais, este ano morreram 25 crianças em consequência da desnutrição crônica provocada pela fome.
No entanto, a Secretaria de Segurança Alimentaria da Presidência reconheceu que a quantidade de crianças mortas pela fome poderia ser “muito superior” às estatísticas oficiais e que a falta de dados específicos se deve a que o Sistema Nacional de Saúde não conta com instrumentos confiáveis para determinar falecimentos provocados por desnutrição.
Um relatório do Ministério guatemalteco de Saúde, divulgado na terça-feira pela imprensa local, assinala que nos primeiros oito meses deste ano faleceram 462 pessoas, entre elas 54 crianças, como consequência de diversos problemas provocados pela desnutrição crônica.
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